Todos nós já ouvimos falar no desastre nuclear de Chernobyl e sabemos que foi um dos piores desastres que a humanidade já presenciou. Até hoje pessoas morrem por danos causados pela alta radiação do local. No epicentro da tragédia o que restou foi uma massa estranha com mais de dois metros de diâmetro e com aspecto enrugado que foi apelidada carinhosamente de “Pata de Elefante” e é um dos objetos mais perigoso do Planeta! Abaixo, nos iremos saber tudo o que envolveu esse terrível acidente, desde o momento da tragédia até os dias de hoje, confira!


A Usina Nuclear de Chernobyl

A Usina nuclear de Chernobyl está situada no assentamento de Pripyat, Ucrânia, 18 km a noroeste da cidade de Chernobyl, 16 quilômetros da fronteira com a Bielorrússia, e cerca de 110 km a norte de Kiev. A usina era composta por quatro reatores, cada um capaz de produzir um gigawatt de energia elétrica (3,2 gigawatts de energia térmica). Em conjunto, os quatro reatores produziam cerca de 10% da energia elétrica utilizada pela Ucrânia na época do acidente.

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Pripyat é uma cidade fantasma no norte da Ucrânia, perto da fronteira com a Bielorrússia. Próximo à cidade fica a central nuclear de Chernobyl, lugar onde ocorreu o maior acidente nuclear da história.

 

Apesar de existir a cidade de Chernobyl , a 18 quilômetros ao sul do complexo nuclear, foi construída uma nova cidade planejada, chamada de Pripyat para os trabalhadores do enorme complexo, em 1970.  Foi oficialmente proclamada como uma cidade em 1979. Era uma cidade interessante, com piscina pública, Centro de Cultura, hotéis, edifícios residenciais e até um parque de diversões (que nunca chegou a abrir para o público). No ano do acidente, 1986, a cidade tinha aproximadamente 50 mil habitantes! Todos foram evacuados ( muitos forçados) no dia seguinte a explosão do reator 4.

Localização das cidades e do complexo nuclear

Localização das cidades e do complexo nuclear.

 

Para a cidade ter quase 50 mil habitantes, você já pode ter uma ideia do enorme números de trabalhadores que haviam no Complexo Nuclear de Chernobyl.

Para a cidade ter quase 50 mil habitantes, você já pode ter uma ideia do enorme números de trabalhadores que haviam no Complexo Nuclear de Chernobyl.

 


O Desastre

Foi na madrugada do sábado, 26 de abril de 1986, exatamente as 1:23 da manhã, em horário local, em que o quarto reator da usina de Chernobyl (que era conhecido como Chernobyl-4), sofreu uma catastrófica explosão de vapor, o que resultou em um incêndio e causou uma série de explosões adicionais fazendo com que houvesse um “Derretimento Nuclear”.


“ O derretimento nuclear ocorre quando o núcleo de um reator nuclear deixa de ser apropriadamente controlado e resfriado devido a falhas no sistema de controle ou no sistema de segurança nuclear, fazendo com que estruturas de combustível do reator (contendo urânio ou plutônio e produtos de fissão altamente radioativos) comecem a sobreaquecer e a derreter-se. Um derretimento nuclear é considerado um acidente nuclear sério pois pode provocar a destruição de um ou mais dos sistemas de contenção, liberando produtos altamente radioativos para o meio ambiente. Vários derretimentos nucleares de diferentes magnitudes ocorreram durante a história das operações nucleares civis e militares, envolvendo desde danos no núcleo do reator até a sua completa destruição. Em alguns casos foram necessários reparos extensivos ou descomissionamento do reator nuclear. Nos casos mais extremos, como o Desastre de Chernobyl, foram causadas mortes e foi necessária a evacuação quase permanente de civis de uma grande área . “


Chernobyl em 1986, logo após o incidente.

Chernobyl em 1986, logo após o incidente.

 


O que causou o maior acidente Nuclear da História?

Existem duas teorias oficiais que explicam o que aconteceu naquele dia, mas as duas teorias são bem contraditórias e deixam dúvidas sobre a causa do acidente. A primeira delas foi publicada em agosto de 1986, e atribuiu a culpa, exclusivamente, aos operadores da usina. A segunda teoria foi publicada em 1991 e atribuiu o acidente a defeitos no projeto do reator RBMK, especificamente nas hastes de controle. Ambas as teorias foram fortemente apoiadas por diferentes grupos, inclusive os projetistas dos reatores, pessoal da usina de Chernobyl, e o governo. Alguns especialistas independentes agora acreditam que nenhuma teoria estava completamente certa e que na realidade o que aconteceu foi uma conjunção das duas teorias, uma vez que o defeito no reator poderia ter sido agravado exponencialmente pelo erro humano. E é isso que veremos a seguir, como foi feito o teste que resultou no colapso do maior desastre nuclear da história.


O Teste Final

Dia 25 de abril de 1986, o reator da Unidade 4 estava programado para ser desligado para manutenção de rotina. Foi decidido usar esta oportunidade para testar a capacidade do gerador do reator para gerar energia suficiente para manter seus sistemas de segurança (em particular, as bombas de água) no caso de perda do suprimento externo de energia. Reatores como o de Chernobyl têm um par de geradores diesel disponível como reserva, mas eles não são ativados instantaneamente – o reator é portanto usado para partir a turbina, a um certo ponto a turbina seria desconectada do reator e deixada a rodar sob a força de sua inércia rotacional, e o objetivo do teste era determinar se as turbinas, na sua fase de queda de rotação, poderiam alimentar as bombas enquanto o gerador estivesse partindo. O teste foi realizado com sucesso previamente em outra unidade (com as medidas de proteção ativas) e o resultado foi negativo (isto é, as turbinas não geravam suficiente energia, na fase de queda de rotação, para alimentar as bombas), mas melhorias adicionais foram feitas nas turbinas, o que levou à necessidade de repetir os testes.

A potência de saída do reator 4 devia ser reduzida de sua capacidade nominal de 3,2 GW para 700 MW a fim de realizar o teste com baixa potência, mais segura. Porém, devido à demora em começar a experiência, os operadores do reator reduziram a geração muito rapidamente, e a saída real foi de somente 30 MW. Como resultado, a concentração de nêutrons absorvendo o produto da fissão, xenon-135, aumentou (este produto é tipicamente consumido num reator em baixa carga). Embora a escala de queda de potência estivesse próxima ao máximo permitido pelos regulamentos de segurança, a gerência dos operadores decidiu não desligar o reator e continuar o teste. Ademais, foi decidido abreviar o experimento e aumentar a potência para apenas 200 MW. A fim de superar a absorção de neutrons do excesso de xenon-135, as hastes de controle foram puxadas para fora do reator mais rapidamente que o permitido pelos regulamentos de segurança. Como parte do experimento, à 1:05 de 26 de abril, as bombas que foram alimentadas pelo gerador da turbina foram ligadas; o fluxo de água gerado por essa ação excedeu o especificado pelos regulamentos de segurança. O fluxo de água aumentou a 1:19 – uma vez que a água também absorve nêutrons. Este adicional incremento no fluxo de água requeria a remoção manual das hastes de controle, produzindo uma condição de operação altamente instável e perigosa.

À 1:23, o teste começou. A situação instável do reator não se refletia, de nenhuma maneira, no painel de controle, e não parece que algum dos operadores estivesse totalmente consciente do perigo. A energia para as bombas de água foi cortada, e como elas foram conduzidas pela inércia do gerador da turbina, o fluxo de água decresceu. A turbina foi desconectada do reator, aumentando o nível de vapor no núcleo do reator. À medida que o líquido resfriador aquecia, bolsas de vapor se formavam nas linhas de resfriamento. O projeto peculiar do reator moderado a grafite RBMK em Chernobyl tem um grande coeficiente de vazio positivo, o que significa que a potência do reator aumenta rapidamente na ausência da absorção de nêutrons da água, e nesse caso a operação do reator torna-se progressivamente menos estável e mais perigosa.

À 1:23 os operadores pressionaram o botão AZ-5 (Defesa Rápida de Emergência 5) que ordenou uma inserção total de todas as hastes de controle, incluindo as hastes de controle manual que previamente haviam sido retiradas sem cautela. Não está claro se isso foi feito como medida de emergência, ou como uma simples método de rotina para desligar totalmente o reator após a conclusão do experimento (o reator estava programado para ser desligado para manutenção de rotina). É usualmente sugerido que a parada total foi ordenada como resposta à inesperada subida rápida de potência. Por outro lado Anatoly Dyatlov, engenheiro chefe da usina Nuclear de Chernobyl na época do acidente, escreveu em seu livro:


“Antes de 01:23, os sistemas do controle central não registravam nenhuma mudança de parâmetros que pudessem justificar a parada total. A Comissão analisou grande quantidade de material, e declarou em seu relatório que falhou em determinar a razão pela qual a parada total foi ordenada. Não havia necessidade de procurar pela razão. O reator simplesmente foi desligado após a conclusão do experimento.“


Devido à baixa velocidade do mecanismo de inserção das hastes de controle (20 segundos para completar), as partes ocas das hastes e o deslocamento temporário do resfriador, a parada total provocou o aumento da velocidade da reação. O aumento da energia de saída causou a deformação dos canais das hastes de controle. As hastes travaram após serem inseridas somente um terço do caminho, e foram portanto incapazes de conter a reação. Por volta de 1:23:47, o a potência do reator aumentou para cerca de 30GW, dez vezes a potência normal de saída. As hastes de combustível começaram a derreter e a pressão de vapor rapidamente aumentou causando uma grande explosão de vapor, deslocando e destruindo a cobertura do reator, rompendo os tubos de resfriamento e então abrindo um buraco no teto.

Para reduzir custos, e devido a seu grande tamanho, o reator foi construído com somente contenção parcial. Isto permitiu que os contaminantes radioativos escapassem para a atmosfera depois que a explosão de vapor queimou os vasos de pressão primários. Depois que parte do teto explodiu, a entrada de oxigênio – combinada com a temperatura extremamente alta do combustível do reator e do grafite moderador – produziu um incêndio da grafite. Este incêndio contribuiu para espalhar o material radioativo e contaminar as áreas vizinhas.

Após a explosão o material radioativo se espalhou rapidamente, essa fumaça é radiação pura sendo expelida pela usina.

Após a explosão o material radioativo se espalhou rapidamente, essa fumaça é radiação pura sendo expelida pela usina.

 


O desastre poderia ter sido 10 vezes maior!

O incêndio continuava no reator, e com ele selado, a temperatura e a pressão só aumentavam. Os Cientistas descobriram que o reator corria o risco de explodir. Se está explosão ocorresse, a Europa toda seria devastada! Misk, capital da Bielorrússia, a centenas de quilômetros, sumiria do mapa! Seria uma mega explosão nuclear. Essa informação ficou escondida tanto no Oriente como no Ocidente durante 20 anos.

Primeiro, bombeiros tiveram que drenar a água radioativa que existia embaixo do reator.

Para diminuir o calor no reator, helicópteros jogaram 2.500 toneladas de chumbo na cratera. Porem, os 600 pilotos que ajudaram neste procedimento morreram posteriormente com os efeitos da radiação e parte do chumbo foi derretida e lançada na atmosfera.

”Até hoje moradores do local sofrem com doenças relacionadas ao chumbo.”

Mas felizmente o procedimento anterior deu certo,  diminuindo o calor do reator por alguns dias, mas,  o incêndio no interior da usina ainda continuava.

Eles tinham que ver o que estava acontecendo dentro do reator, e olhando a planta da usina constataram que existia um acesso ao interior dos reatores pelos túneis de canos feitos de concreto. E através destes túneis os cientistas conseguiram fazer um buraco na parede do reator, utilizando maçaricos conseguindo inserir no local algumas ferramentas e câmeras. E foi nesse momento que eles visualizaram pela primeira vez a estrutura apelidada de “Pé de Elefante” (veremos mais abaixo do que se tratava a estrutura apelidada de “Pé de Elefante”.

Para piorar toda a situação, abaixo do “pé de elefante” fica o maior aquífero da URSS, que era responsável pelo abastecimento de milhões e milhões de pessoas. E que se parte da radiação entrasse em contato com a água, provavelmente toda o fornecimento de água do País seria afetado..

E assim, um plano foi traçado para que contivessem esse problema, e 10.000 mineiros construíram um túnel de 150 metros partindo do reator 3 para o 4, e depois um buraco embaixo do reator 4 de 2x 30 metros, que inicialmente seria revestido de nitrogênio líquido, mas que foi revestido de concreto. Isso evitou que o magma radiativo penetrasse no lençol freático que existia embaixo e contaminasse toda a água.

Esquema mostrando como foram tomadas as medidas para evitar que o material radioativo entrasse em contato com a água.

Esquema mostrando como foram tomadas as medidas para evitar que o material radioativo entrasse em contato com a água.

 


O “Pé de Elefante” – O objeto mais PERIGOSO do Mundo

A explosão resultou na criação do objeto mais radioativo do mundo, formado por uma lava incandescente que é composta de água, areia e dióxido de urânio. Este objeto possui uma dimensão de 2 metros de largura e 1 metro de altura e pesa mais de uma tonelada! E como o formato que a lava tomou se assemelhava a uma para de elefante, o objeto foi carinhosamente apelidado de “Pé de elefante”.

O Pé de elefante, o objeto radioativo mais perigoso do mundo.

O Pé de elefante, o objeto radioativo mais perigoso do mundo.

 

Será que este objeto faria o mesmo estrago que o pé de um elefante faria a uma pessoa? Eu diria que não, você iria preferir ser pisoteado por um elefante de verdade do que chegar próximo deste objeto, pois o material dele é tão radioativo que acabou ficando conhecido como a verdadeira Medusa, uma vez que quem olhasse ou se aproximasse do “Pé de Elefante” teria sua morte decretada em poucos minutos.

Para medir a radiação de um local, é usado uma unidade de medição chamada Rg. 15 Rgs, é o numero de radiação normal. 50 Rgs, é encontrado em laboratórios de pesquisas ,e é preciso o uso de proteção para entrar em contato. 75 Rgs, a pessoa que entrar em contato pode ter tonturas. 100 Rgs, faz a pessoa perder o cabelo. 300 Rgs, é o suficiente para matar uma pessoa. 600 Rgs, causariam queimaduras na pele, fígado, no cérebro e até no sangue. 1000 Rgs, mataria a pessoa em até 3 minutos. Agora imagine só, o Pé de Elefante tem aproximadamente 10 mil Rgs! Ou seja não adianta roupas especiais como a do cara da foto, a pessoa morreria do mesmo jeito.

Alguns dias após o desastre, cientistas e pesquisadores soviéticos tentaram enviar robôs até a lava para recolher material e fotografá-lo, contudo, a radioatividade era tão grande, que os sistemas eletrônicos falharam. Por fim, uma foto foi tirada utilizando espelhos.

 

Quando esta foto foi tirada, 10 anos após o desastre, o Pé do Elefante estava emitindo apenas um décimo da radiação que possuía. Mesmo assim, apenas 500 segundos de exposição a ele seriam fatais.

Quando esta foto foi tirada, 10 anos após o desastre, o Pé do Elefante estava emitindo apenas um décimo da radiação que possuía. Mesmo assim, apenas 500 segundos de exposição a ele seriam fatais.

 


Os Liquidadores – Os verdadeiros heróis de Chernobyl

O incêndio no reator havia sido finalmente controlado, mas a radiação continuava a ser emitida. Então, o governo da URSS decidiu convocar milhares de militares da reserva e trabalhadores para “liquidar o problema”, e eles foram apelidados de liquidadores.

Medalha soviética concedida aos liquidadores.

Medalha soviética concedida aos liquidadores.

Liquidador então é o nome que se deu a cada um dos aproximadamente 600.000 homens que se ocuparam em minimizar as consequências do desastre de 26 de abril de 1986 em Chernobyl. Foram bombeiros, militares, operários e voluntários que se encarregaram de apagar os incêndios e construir o sarcófago, estrutura desenhada para conter a radiação liberada durante o acidente nuclear de Chernobyl. Estas pessoas se arriscaram a construir o equipamento protetor que absorveu grande parte da radiação.

Muitos liquidadores sofreram diversos efeitos causados pela radioatividade, milhares deles morreram.

 

 

 

Os Liquidadores de Chernobyl ajudaram a minimizar os danos causados pelo desastre, muitos morreram devido a exposição ao material nuclear, porem a ajuda deles foi de muita importância para que o efeitos fossem contidos.

Os Liquidadores de Chernobyl ajudaram a minimizar os danos causados pelo desastre, muitos morreram devido a exposição ao material nuclear, porem a ajuda deles foi de muita importância para que o efeitos fossem contidos.

 

Enquanto isso, milhares de homens trabalhavam na limpeza do local. Num raio de 30 quilômetros, árvores, casas, objetos, tudo era limpo por eles. Havia os caçadores, que matavam gatos, cachorros ou qualquer outro animal para evitar a dispersão da radioatividade. Tudo o que encontravam no caminho era demolido e enterrado, pois estavam repletas de material radioativo.

Os liquidadores precisavam dar uma fim na emissão de radiação para a atmosfera, e como não dava para chegar ao reator, resolveram construir uma estrutura que o revestisse, chamada de Sarcófago.

 


O Sarcófago

Para que a emissão de radiação pudesse ser controlada, os responsáveis resolveram criar um estrutura que revestisse toda a área  do reator e fizesse com que grande parte da radiação fosse bloqueada, essa estrutura ficou conhecida como Sarcófago.

Logo após iniciar a construção do sarcófago, descobriram imensos pedaços de grafites radioativos espalhados pelo alto de estruturas que precisavam ser retirados dali. Começaram utilizando robôs, mas estes davam defeito devido a alta radiação. Então tiveram que colocar homens para fazer aquele serviço.  Eles mesmo que tiveram que fazer sua proteção de chumbo e podiam dar somente 2 pazadas de grafite para baixo. Concluída a missão, a construção do enorme sarcófago recomeçou e ele foi concluído.

Mais de 400.000 metros cúbicos de concreto e 7.300 toneladas de estrutura metálica foram utilizados durante sua construção. O edifício por fim confina 740.000 metros cúbicos de detritos juntamente com o solo contaminado.

Após a conclusão da construção do sarcófago, os reatores 1, 2 e 3 voltaram a funcionar e gerar energia para o país.

Antigo Sarcófago construído na usina de Chernobyl para controlar a emissão de radiação.

Antigo Sarcófago construído na usina de Chernobyl para controlar a emissão de radiação.

 

O Sarcófago construído foi feito para durar de 20 a 30 anos, e como o desastre já fez 30 anos e grande parte do material estava se corroendo devido a radiação, as autoridades ucranianas decidiram criar um novo sarcófago, que começou a ser construído em 2010 e tem o formato de um arco medindo 110 metros de altura e pesando 25 toneladas. Ele está sendo construído próximo ao antigo sarcófago e quando concluído, será colocado em cima do antigo, utilizando linhas de trens para levá-lo até o local adequado.  O Sarcófago já foi colocado no lugar correto e  deve estar plenamente operacional no fim de 2017 e terá um custo total de US$ 2,4 bilhões. Veja o incrível vídeo do novo sarcófago abaixo:

Estima-se que ele tenha uma vida útil estimada em no mínimo de cem anos. Mas apesar do novo sarcófago, o local ainda permanecerá inabitado pelos 300 anos seguintes.

 


As Cidades Fantasmas de Chernobyl e Pripyat

A explosão que aconteceu na usina fez com que uma grande área ao redor do local fosse contaminada pela radiação, e as cidades de Chernobyl e Pripyat não escaparam!

Em Pripyat moravam quase 50 mil pessoas. Como a explosão ocorreu durante a madrugada, o exército só chegou ao local no dia seguinte e usaram helicópteros para avisar a população de que eles tinham apenas mais 2 horas para reunir alguns objetos e entrar nos ônibus para evacuar a cidade. Assim, todos os seus moradores foram evacuados. Mas eles foram enganados, pois para evitar o pânico, as autoridades disseram para os moradores que eles poderiam retornar ao local depois de algum tempo, o que como todos nós sabemos, era mentira, pois a cidade continuará contaminada pelos próximos 800 anos! Durante todo esse tempo a natureza continuará consumindo o local e a cidade permanecerá uma cidade fantasma!

Muitos exploradores e cientistas vão ao local e registram em vídeos e fotos como a região está atualmente. Para entrar nestes locais ele precisam ter a autorização do governo, pois se ele te pegar sem permissão perambulando por lá, você com certeza irá para a cadeia!

Além dessas cidades, diversos assentamentos também foram evacuados. Mas muitos moradores voltaram para suas casas, recusando-se a sair. Estima-se que mais de 5 milhões de pessoas vivam em áreas de risco, contaminadas com radiação. Abaixo veremos como estão as cidades hoje em dia:

 

Cidade fantasma de Pripyat com Chernobyl ao fundo.

Cidade fantasma de Pripyat com Chernobyl ao fundo.


Este vídeo feito por um drone mostra mais detalhes da cidade de Pripyat:


 

O Parque de diversão da cidade de Pripyat nunca chegou a funcionar, pois estava em construção na época do desastre.

O Parque de diversão da cidade de Pripyat nunca chegou a funcionar, pois estava em construção na época do desastre.


Pesquisando pelo youtube encontrei esse vídeo incrível de um grupo de amigos que estavam filmando a cidade com seu drone, quando ele ficou preso na roda gigante do parque da cidade de Pripyat e os amigos precisaram escalar o local para recuperar seu equipamento, além disso, eles passam por vários outros lugares da cidade, como uma enorme piscina abandonada! Corajosos, não?


E este outro vídeo de um rapaz passeando por Chernobyl um pouco antes de o novo sarcófago ser instalado sobre o reator 4, ele visita diversos locais, como uma escola e o teatro da cidade Pripyat e explica um pouco  mais sobre o ocorrido no local:

 


As Consequências da Radioatividade

Os efeitos da radiação nuclear para a saúde vão depender do tempo e do grau de exposição a que o indivíduo esteve sujeito, explica o Dr. Arthur Frazão (Médico). Quanto mais tempo estiver exposto, maior o risco de desenvolver doenças, embora pouco tempo de exposição a uma grande quantidade de radiação possa ser fatal.

A radiação nuclear pode provocar vários tipos de lesões no corpo:

Queimaduras graves, por exposição às radiações alfa, deixando a pele do indivíduo totalmente danificada, uma vez que as células não resistem ao calor emitido pela radiação;

– Alterações celulares como mutações genéticas que podem causar doenças como câncer, no caso de contato com raios beta e gama.

Outras consequências da exposição à radiação são hemorragias, problemas digestivos, infecções ou doenças autoimunes.

No caso de mulheres grávidas estarem expostas a grande quantidade de radiação, os fetos durante a gestação podem sofrer mutações genéticas ou nascer prematuramente com grandes problemas de má-formação.

Na Bielorrússia aumentou 70% o número de crianças com leucemia após o acidente.

Da mesma forma, muitos animais sofreram mutações. Um estudo realizado em 120 vacas prenhas, constatou que 50 delas tinham fetos malformados!

Nesta foto podemos ver a mutação sofrida por um cachorro devido a radiação.

Nesta foto podemos ver a mutação sofrida por um cachorro devido a radiação.

 

Na internet é possível encontrar diversas fotos de pessoas e animais que sofreram queimaduras, má formação, distúrbios e deformações causadas pelo impacto da radiação, muitas delas são chocantes, por isso optei por não coloca-las aqui, mas se você tiver interesse em saber mais sobre as consequências da radiação nas pessoas e animais, basta procurar no Google que você irá encontrar milhares dessas imagens chocantes!

 


Mais alguns dados interessantes sobre o Desastre de Chernobyl
  • O desastre é o pior acidente nuclear da história em termos de custo e de mortes resultantes, além de ser um dos dois únicos classificados como um evento de nível 7 (classificação máxima) na Escala Internacional de Acidentes Nucleares (sendo o outro o Acidente nuclear de Fukushima I, no Japão, em 2011).

  • Os primeiros bombeiros ao chegar o local não tinham o equipamento de proteção necessário. Eles despejaram milhares de toneladas de água para tentar apagar o estranho incêndio. Todos foram expostos a doses cavalares de radiação e morreram. As roupas que eles usavam ainda estão no hospital de Pripyat e testes indicam que elas têm até 400 vezes mais radiação que o normal!

  • Se os habitantes não fossem evacuados de Pripyat, em 4 dias eles teriam recebido uma dose letal de radiação, e todos morreriam!

  • Cinco dias após o desastre, o vento mudou e levou muita radiação para a área de Kiev. A população do local não sabia de nada, e para o Governo Comunista, o feriado de 1º de Maio era muito importante, e mesmo sabendo que estava chovendo radiação nas pessoas, incentivaram-nas a saírem de casa, desfilar e comemorar, quando na verdade, elas deveriam estar trancadas com as janelas e seladas! Uma enorme irresponsabilidade! Sabendo disso, um dos chefes do Governo Comunista cometeu suicídio alguns meses depois.

  • Só depois de 10 dias que um especialista visitou o lugar, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica.

  • A batalha para conter a contaminação radioativa e evitar uma catástrofe maior envolveu mais de 500 mil trabalhadores e um custo estimado de 18 bilhões de rublos. Na época 1 rublo era igual 1 real!

  • A estatística oficial é que somente 31 pessoas morreram por causa do acidente. Dois homens no momento da explosão e outros 29 eram pilotos ou soldados que jogaram a areia no reator. Grande mentira né?

  • Os efeitos em longo prazo, como câncer e deformidades ainda estão sendo contabilizados. No total, pode chegar a meio milhão de pessoas!

  • Há uma floresta que ficou toda vermelha após ser atingida pela radiação, a chamada “Floresta Vermelha”.

  • Alguns locais tem 4 mil vezes o limite de radiação tolerada.

  • Até o ano 2000, data em que o complexo foi oficialmente desativado, os reatores 1, 2 e 3 continuaram gerando energia.

  • Atualmente trabalham no complexo nuclear de Chernobyl mais de 2.500 pessoas, eles fazem a segurança, manutenção, limpeza etc.

  • O local é um dos maiores santuários de preservação animal atualmente, tendo grande quantidade de lobos, veados, castores, águias e outras espécies?

  • Mais de 5 milhões de pessoas moram em áreas contaminadas com radiação? Na cidade fantasma de Pripyat moram atualmente 3 pessoas, idosos que querem morrer lá.

 

Monumento construído em homenagem aos bombeiros, que foram os primeiros a chegar ao local. Todos eles morreram dias depois. Suas roupas possuíam até 4 mil vezes mais radiação que o normal.

Monumento construído em homenagem aos bombeiros, que foram os primeiros a chegar ao local. Todos eles morreram dias depois. Suas roupas possuíam até 4 mil vezes mais radiação que o normal.

 


Você se acha corajoso? Então faça uma visita a Chernobyl!

A alguns anos o governo da Ucrânia como forma de obter mais renda para o país resolveu abrir o local para visitação. Isso mesmo, você pode fazer uma visita e ver o desastre com seus próprios olhos. É claro que você não vai chegar ao lado do sarcófago, mas você vai poder passear pelo complexo Nuclear e pela cidade fantasma de Pripyat. No passeio, você não deve tocar em nada e no final você deverá passar por aparelhos que verificam o total da radiação recebida e se existe algum tipo de contaminação.

Agora caso você não tenho coragem de visitar o local, não tem problema, nós solucionamos isso para você! Abaixo você pode passear pela cidade fantasma de Pripyat (no alto a esquerda) e se quiser pode ir até a usina de Chernobyl (abaixo a direita).  Para ver melhor o local e caminhar por ele, basta clicar no bonequinho amarelo localizado no mapa e arrastá-lo para o local desejado! Bom passeio!

 


O futuro da Usina Nuclear de Chernobyl

A usina de Chernobyl foi fechada em 2000, mas ainda acolhe combustível nuclear e possui níveis de radiação superiores à norma. Por isso, vários ecologistas continuam considerando a usina uma grande ameaça. Da mesma forma, as autoridades ucranianas destacaram que os reatores um, dois e três da central possuem o perigo de radiação muito presente.

O Governo pretende desativar totalmente a usina e territórios adjacentes de Chernobyl em 2018, e enterrar as 200 toneladas de combustível nuclear sob a central com ajuda da companhia americano Holtec International. Nós esperamos que ocorra tudo bem e que esse acidente possa ter suas consequências terminadas de uma vez por todas! Mas enquanto isso não acontece a natureza vem tomando conta de todo o local e diversas espécies de animais e plantas continuam suas vidas normalmente. Esse é o fluxo da vida na Terra e assim continuará sendo por muitos e muitos anos.

 


De cidade fantasma a Paraíso da vida Selvagem

Recentemente, o cientista Sergei Gashchak captou imagens da zona de exclusão situada entre a Ucrânia e a Belarus, que foi fechada para habitantes após o desastre. Gashchak clicou animais que ressurgiram na região, como linces, lobos, alces e águias. À época do desastre, poucos animais viviam no local. Mas após a saída de humanos da zona da catástrofe, mamíferos de grande porte voltaram e lá se estabeleceram.

Cavalos selvagens fotografados na região de Chernobyl

Cavalos selvagens fotografados na região de Chernobyl

Um estudo publicado na revista científica “Current Biology” mostra que Chernobyl mais se parece com um parque de proteção ambiental que uma zona de desastre. Sem humanos, bandos de alces, veados, cervos, javalis e lobos são vistos perambulando entre ruas e construções abandonadas há três décadas. E é bem capaz de que a vida selvagem existente hoje na região seja bem maior do que antes do desastre. É claro que a radiação do local não faz bem aos animais, mas os efeitos causados por ela estão sendo bem menores do que os causadas pelo homem, através da caça, agricultura e desmatamento.

Vários tipos de pássaros são avistados constantemente ao arredores do desastre.

Vários tipos de pássaros são avistados constantemente ao arredores do desastre.

A área vai continuar interditada para a habitação humana por mais centenas de anos, enquanto isso a natureza irá recuperando tudo o que lhe é de direito e irá provar mais uma vez que a raça humana é só uma dentre as demais que vivem em nosso enorme planeta.

A presença do homem em Chernobyl está temporariamente extinta, a natureza agradece!

A presença do homem em Chernobyl está temporariamente extinta, a natureza agradece!


 

Referencias:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Liquidador

http://www.megacurioso.com.br/acidentes-estranhos/58749-21-fatos-surpreendentes-sobre-o-acidente-nuclear-de-chernobyl.htm

http://rarehistoricalphotos.com/the-elephant-foot-of-the-chernobyl-disaster-1986/

http://www.creepypastabrasil.com.br/2012/11/pe-de-elefante-medusa-nuclear.html

http://muitoassustadorbr.blogspot.com.br/2015/05/pe-de-elefante-o-objeto-mais-perigoso.html

http://seuhistory.com/noticias/drone-sobrevoa-chernobyl-e-faz-imagens-impressionantes-da-cidade-fantasma

http://www.infoescola.com/fisica/acidente-da-usina-nuclear-de-chernobyl/

http://www.assombrado.com.br/2014/12/chernobyl-o-desastre-as-cidades.html

https://www.youtube.com/watch?v=n7aMcKinrWY

http://www.assombrado.com.br/2016/04/chernobyl-30-anos-o-novo-sarcofago.html

https://noticias.terra.com.br/mundo/ucrania-constroi-novo-sarcofago-sobre-a-usina-nuclear-de-chernobyl,6c48a0397b7da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

http://www.megacurioso.com.br/acidentes-estranhos/58749-21-fatos-surpreendentes-sobre-o-acidente-nuclear-de-chernobyl.htm

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2015/02/chernobyl-de-zona-proibida-a-paraiso-da-vida-selvagem.html