E aí curiosos, vocês já pararam para pensar o que a história do filme Mogli o menino lobo e a história de Tarzan tem em comum? Isso mesmo, ambos sofreram com acontecimentos em sua infância que os deixaram totalmente abandonados em meio a vida selvagem e sobreviveram graças a ajuda de animais selvagens que adotaram os pequenos meninos e criaram eles como seus próprios filhos. Agora imagine um bebê humano perdido na selva, seria possível uma criança tão pequena viver longe de sua mãe? E se um animal selvagem o encontrar? Qual seria seu fim? Seria o bebê devorado, ou você acha que poderia acontecer igual aos filmes que citamos, onde os animais aceitaram a criança em seu grupo, adotando um ser totalmente diferente de sua raça? As respostas para essas perguntas podem estar nessas impressionantes histórias de crianças que foram criadas por animais! Nós pesquisamos muito para realizar essa matéria, em muitos sites encontramos poucas informações e muitas delas eram iguais, então se você gostar da matéria não deixe de compartilhar com seus amigos em suas redes sociais e deixar seu comentário abaixo. Tenham uma ótima leitura e se prepare pois nós iremos contar em detalhes todas essas incríveis histórias para vocês!

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Falando um pouco mais a respeito das Crianças Selvagens

Ser criado por animais pode ter sido uma sorte na vida dessas crianças, as quais iremos contar os casos aqui, uma vez que elas puderam escapar da morte e sobreviver como animais. Mas, por outro lado, essa vivência trouxe diversas complicações para a vida delas. Como não possuíram contato nenhum com humanos em grande parte de sua infância, as crianças selvagens não aprenderam as habilidades sociais básicas que normalmente são aprendidas no processo de criação. Por exemplo, eles podem ser incapazes de aprender a usar um banheiro, ter dificuldade em aprender a caminhar eretos como um ser humano, depois de terem caminhado de quatro por grande parte de suas vidas, ou exibir uma completa falta de interesse na atividade humana em torno deles. Muitas vezes, essas crianças parecem ter problemas mentais e têm problemas quase insuperáveis em aprender a linguagem humana, pois existe um período crítico na infância humana, onde o aprendizado da linguagem é posto em prática, e como as crianças passaram esse período isoladas da humanidade, torna-se quase impossível ensiná-las a nossa linguagem. Há pouco conhecimento científico sobre as crianças selvagens e existem poucos casos documentados e é isso que veremos a seguir:

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Marina Chapman – Criada por Macacos

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A história de Marina Chapman é impressionante. Ela foi criada por macacos, viveu num bordel, virou menina de rua, foi perseguida pela máfia colombiana, morou num convento e finalmente foi adotada por uma família que a adotou e criou com carinho e atenção. Ela casou-se, tem duas filhas e mora na Inglaterra. Todo esse relato foi contado em um livro escrito por sua filha, chamado, “A garota sem nome”.  Sua história começou quando ela tinha aproximadamente 4 anos de idade, Marina Chapman (nome escolhido por ela), foi sequestrada em uma aldeia na Colômbia por dois homens, que, inexplicavelmente,  abandonaram a garotinha na selva totalmente sozinha. Perdida, a criança teria andado de um lado para o outro da selva, sem encontrar nenhum humano por perto, sem saber o que fazer a crianças foi aos poucos se aproximando de uma família de macacos, aparentemente macacos-prego e como uma criança observa os pais, Marina começou a observar o comportamento desses primatas, e começou a se comportar como um deles, comendo tudo o que via os macacos comendo, como por exemplo, formigas e restos de frutas que os macacos comiam.

Livro conta história de menina que viveu com macacos dos 4 aos 10 anos .

Livro conta história de menina que viveu com macacos dos 4 aos 10 anos .

Marina contou que certa vez ela comeu uma espécie de tamarindo que teria a envenenado e que ela teria começado a passar muito mal por isso, segundo ela, uma macaco mais velho do grupo, vendo aquilo, começou a empurrar a menina em direção ao riacho,  ela disse que embora tenha ficado assustada, percebeu que o macaco não estava agitado nem hostil, e disse que ele começou a pressionar sua cabeça contra o riacho, fazendo com que ela bebesse muita água, por um instante Marina pensou que o macaco queria afogá-la. Mas aos poucos ela começou a vomitar tudo o que havia comido o que segundo ela, teria salvado a sua vida. Após este incidente o macaco teria começado a se passar como uma espécie de protetor da criança, fazendo com que ela fosse aos poucos assimilada pelos outros macacos, até que se tornasse como um deles. Marina contou que nesse instante sua sensação de solidão e abandono teria começado a diminuir, pois agora os macacos pareciam contentes em dividir a comida com ela e com frequência a banqueteavam com os insetos que encontravam em seu cabelo.  De noite a garotinha dormia em um tronco oco de uma velha árvore, aos poucos Marina começou a subir nas árvores  e já se considerava um macaco. Com a convivência constante, Marina começou a se esquecer da convivência com os humanos. Ela disse que nem pensava mais em linguagem humana, que sua vida havia se transformado em sons e emoções e que ela apenas focava sua atenção a suas missões, que eram no caso, a batalha diária para conseguir alimento e encontrar companhia. Além disso, ela passou a andar sobre as 4 “patas” seguindo o jeito de andar dos macacos.

Marina contou que certa vez se distanciou um pouco do grupo de macacos, e avistou uma mãe humana com o seu bebê, ela então criou coragem e seguiu em direção a esta mãe. Porém, a mulher teria se assustado e um dos homens do grupo teria a expulsado dali. Depois dessa experiência mal sucedida a menina teria se aproximado mais ainda dos macacos.

Quando tinha aproximadamente 10 anos, caçadores encontraram a menina, ou melhor Marina teria se dirigido a eles. Segundo ela, estava com muito medo, ela era praticamente um macaco, tinha perdido a postura humana e caminhava desnuda sobre quatro patas. Ela havia esquecido completamente a linguagem humana e não sabia o próprio nome. Marina não tinha mais compreensão de como ser um humano, o que significava que seu foco era apenas a comida e a sobrevivência.

Mesmo assustados, os caçadores pegaram aquela estranha menina, e adivinha o que fizeram? A venderam para a dona de um bordel chama Ana Karmen, na aldeia de Loma de Bolívar na Colômbia. No começo, ela tornou-se faxineira do local, praticamente uma escrava que não entendia nada das conversas entre a Dona do local e as meninas que lá trabalhavam. Por isso, e por não conseguir se movimentar como humanos normais, a garota apanhava constantemente. Deste modo, a garota teve que aprender a se vestir e se calçar, a tomar banho e escovar os dentes. Lá, pela primeira vez a garota teria ganhado um nome, Glória, mas sem nenhum sobrenome. Uma vez a dona do bordel tentou oferecer ela para um homem, a menina rejeitou bravamente, sendo assim foi mais uma vez espancada, com medo de morrer, a menina decidiu fugir e se tornou menina de rua, roubando e dormindo em um parque da cidade, nas ruas.  Ela roubava para comer e chegou a liderar uma gangue de meninos, na cidade de Cúcuta, na Colômbia. “Tornei-me uma das melhores ladras e fazedoras de dinheiro das ruas de Cúcuta.” Nas ruas ela recebeu o nome de Pony Malta, que foi uma referencia feita a uma garrafa de bebida colombiana.

De fato, a garota, agora com 14 anos, não tinha um lar e nenhum parente para apoia-la. Certo dia ela ouviu de um policial que ela era uma estúpida, eles acharam que ela era louca ou retardada e por este motivo, ela jurou que nunca mais falaria dos macacos outra vez.

Marina Chapman, quando menina de rua, era conhecida por sua gangue como Pony Malta. Por causa de uma garrafa de uma bebida colombiana | Fotos: Reprodução .

Marina Chapman, quando menina de rua, era conhecida por sua gangue como Pony Malta. Por causa de uma garrafa de uma bebida colombiana | Fotos: Reprodução .

Cansada de roubar comida, ela pediu emprego em um restaurante, mas não durou muito tempo lá. Até que um certo dia, aconselhada por outra menina de rua que havia mudado de vida, ela decidiu bater de porta em porta pedindo emprego e assim o fez. Ao bater em uma porta ela foi atendida por uma jovem, chamada Consuela, que já a conhecia do parque. Os pais de Consuela aceitaram a menina como empregada, porem não iriam pagar nada para ela, apenas permitiriam que ela comesse e dormisse ali e passaram a chama-lá de Rosalba. Porem, mais uma vez ela sofreu por problemas, pois a família não ligava para ela, a tratava como se fosse invisível. Ela comia os restos de comida e praticamente não podia sair de casa. O senhor Santos, dono e patrono da casa, tentou estupra-la , mas ela reagiu, então mais uma vez a garota começou a ser agredida. A menina mais uma vez fugiu desta casa, e foi acolhida por uma vizinha, chamada Maruja, que mesmo assustada aceitou a menina em sua casa e a alimentou. Ali a menina recebeu pela primeira vez na vida um presente. Ao planejar enviar a menina para Bogotá onde morava uma de suas filhas, Maruja lhe deu um belo vestido de cetim azul e sapatos brancos. Ali a menina se sentiu amada pela primeira vez e fez de tudo para agradar Maruja.

Maruja acreditou em Marina Chapman, a Luz Marina, e salvou-a da máfia colombiana da família Santos e encontrou um lar para a jovem em Bogotá .

Maruja acreditou em Marina Chapman, a Luz Marina, e salvou-a da máfia colombiana da família Santos e encontrou um lar para a jovem em Bogotá .

Protegida por Maruja, a primeira pessoa a se mostrar carinhosa com ela, e sem qualquer interesse, Rosalba ficou feliz. “Eu podia ter dito ‘obrigada’, e disse, mas pareceu inadequado. Eu queria dizer tantas coisas, dizer-lhe quão agradecida estava por ela ter me dado uma chance, por confiar em mim, por acreditar que eu poderia fazer algo de mim mesma. Mas não pude. Só pude dizer-lhe com meus olhos e com minhas ações.”

Maruja enviou Rosalba então para casa de sua filha, em Bogotá, Maria apresentou a família para Rosalba. “Senti tanta admiração e respeito por Maria. Ainda sinto. Foi uma coisa incrível o que ela e seu marido Amadeo fizeram: receberam uma estranha, uma menina com um passado menos que recomendável, e a aceitaram em suas vidas tão generosamente.”

Maria Nelly Forero e Amadeo: o casal deu um lar, uma família e um nome para Luz Marina, mais tarde Marina Chapman. Ela é muito grata aos dois .

Maria Nelly Forero e Amadeo: o casal deu um lar, uma família e um nome para Luz Marina, mais tarde Marina Chapman. Ela é muito grata aos dois .

Maria ensinou Rosalba a ler e a escrever. Sobretudo, sua família ensinou à menina rebelde e desconfiada que era possível amar de verdade. Não se sabia a idade precisa de Rosalba, então imaginaram que era 13 ou 14 anos.

Perguntada sobre qual nome gostaria de ter, porque seria batizada e registrada, Rosalba disse: “Luz Ma­ri­na”. A adolescente tornou-se, en­tão, integrante da família Forero. Ao deixar a igreja, com um nome e uma família, Luz Marina pensou: “Esta sou eu. Esta é minha identidade. Eu pertenço a uma família, e não sou uma órfã. Com aquele sentimento veio uma sensação de que eu era uma pessoa nova. E, o mais importante, uma pessoa, um ser humano livre. Eu mal podia esperar para começar o resto da minha vida”.

Adulta, Marina Chapman sobe numa árvore, com extrema facilidade, para mostrar como fazia quando convivia com macacos-pregos na selva .

Adulta, Marina Chapman sobe numa árvore, com extrema facilidade, para mostrar como fazia quando convivia com macacos-pregos na selva .

A história de Marina Chapman, a Luz Marina, foi escrita por uma de suas duas filhas, Vanessa James. A sua família vive até hoje na Inglaterra.

O texto de Vanessa James foi encaminhado para uma editora de Lon­dres. A editora sugeriu que Lynne Barrett Lee escrevesse o livro. Era “a história de uma mulher que tinha sido criada, em parte, por macacos. Ou era o que diziam. Eu acreditei? Não estava segura”, ou a escritora.

Uma foto mais recente de Marina Chapman, ela foi um dos casos de crianças criadas por animais que felizmente tiveram um final feliz e apesar de vários apuros e momentos sofridos, Marina conseguiu dar a volta por cima e construir uma vida normal em sociedade.

Uma foto mais recente de Marina Chapman, ela foi um dos casos de crianças criadas por animais que felizmente tiveram um final feliz e apesar de vários apuros e momentos sofridos, Marina conseguiu dar a volta por cima e construir uma vida normal em sociedade.

Quando leu os textos os originais de Vanessa James, elaborados a partir de entrevistas com sua mãe, Marina Chapman e através de várias pesquisas exaustivas, Lynne Barrett Lee entusiasmou-se com o projeto. Foi questão de alguns segundos para que eu não só confiasse que a incrível história de Marina era verdadeira, mas também sentisse aquela sensação mágica, e não negociável,  de ‘encaixe’. Marina é a encarnação viva da pequena garota descrita por si mesma no livro. Agora uma dona de casa de Bradford e incansável superavó, ela ainda retém tal aura de travessura e selvageria que não é necessário nenhum ato de fé para casar essas duas qualidades.

Marina Chapman e sua filha, Vanessa James.

Marina Chapman e sua filha, Vanessa James.

Todos esses detalhes sobre este caso foram possíveis graças ao livro “A Garota Sem Nome”, sem dúvida um livro forte e comovente. Se você achou a história de Marina Chapman interessante, no Youtube existem diversas matérias onde ela aparece dando entrevistas e explicando tudo o que aconteceu com ela durante toda a sua vida, abaixo podemos ver uma dessas entrevistas realizada para a BBC, em que Marina aparece juntamente com sua filha Vanessa e as duas contam um pouquinho mais dessa história incrível, não se esqueça de ativar as legendas do Youtube para entender melhor.

 

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Kamala e Amala, criadas por lobos

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Talvez esta seja uma das histórias mais conhecidas e controversas que envolvem crianças criadas por animais selvagens. As meninas lobo tinham cerca de 18 meses (Amala) e oito anos de idade (Kamala) quando foram encontradas juntas em uma toca de lobos. No entanto, acredita-se que elas não eram irmãs, mas foram abandonadas, ou adotadas pelos lobos com alguns anos de diferença.

Amala e Kamala as meninas Lobo.

Amala e Kamala as meninas Lobo.

Naquele ano, o Reverendo Joseph Singh, missionário encarregado de um orfanato no norte da Índia, ouviu falar de dois espíritos fantasmagóricos que eram vistos acompanhando um bando de lobos perto de Midnapore, na selva de Bengala. Os aldeões locais temiam essas aparições, mas por sorte, o costume local proibia-os de fazer mal aos lobos. Intrigado, então, Singh construiu um esconderijo em uma arvore bem na entrada da toca dos lobos para que pudesse observá-los sem perigo algum. Quando a lua se levantou, Singh viu os lobos saírem um por um. Então, estendendo a cabeça brevemente para cheirar o ar noturno antes de avançar para frente na clareira, vieram duas figuras curvadas e horríveis. Como Singh descreveu os “fantasmas” em seu diário, eles eram: “Estranhos, possuíam mãos, pés e o corpo era como o de um ser humano”.

O Reverendo Joseph Singh e Kamala.

O Reverendo Joseph Singh e Kamala.

As garotas pareciam não ter nenhum vestígio de humanidade na forma como elas agiam e pensavam. Era como se tivessem a mente dos lobos. Eles rasgavam qualquer roupa colocada sobre elas e só comiam carne crua. Eles dormiam enrolados em uma bola apertada e rosnavam e se contraíam para dormir. Elas só ficavam acordadas depois que a lua se levantava e uivavam para serem liberadas novamente. Elas passaram tanto tempo andando sobre os quatro membros, que seus tendões e articulações haviam encurtado em certo ponto em que era impossível para elas esticarem as pernas e até mesmo tentarem andar em pé novamente. Elas nunca sorriram ou mostraram algum interesse na companhia humana. A única emoção que atravessava os rostos dessas meninas era o medo. Os seus sentidos também foram afetados e se tornaram parecidos aos dos animais. Singh afirmou que seus olhos eram sobrenaturalmente afiados à noite e brilhavam no escuro como os olhos de um gato. Elas podiam cheirar um pedaço de carne no pátio do orfanato de três acres de distância. A audição das meninas também era impressionante e muito afiada exceto com a voz dos humanos, a qual parecia estranhamente inaudível para os ouvidos das crianças.

As duas andavam sobre quatro patas por todo o tempo e se alimentavam como animais selvagens.

As duas andavam sobre quatro patas por todo o tempo e se alimentavam como animais selvagens.

Um homem pobre, mas relativamente bem educado, Singh fez o possível para reabilitar as duas pequenas. Influenciado pelo modelo hortícola do desenvolvimento infantil, ele teorizou que os hábitos de lobo adquiridos por Kamala e Amala haviam bloqueado de alguma forma a livre expressão de suas características humanas. Singh achou que era o trabalho dele (não menos importante, por razões religiosas) tirar as meninas dos hábitos criados pelos lobo e devolver a elas a humanidade perdida.

Uma das meninas se alimenta em uma tigela colocada no pátio do local.

Uma das meninas se alimenta em uma tigela colocada no pátio do local.

Infelizmente, antes que seu experimento avançasse e tivesse algum resultado positivo a menina mais nova, Amala, passou muito mal e morreu.  Com a morte de Amala, Akala ficou mais desorientada ainda, o que causou um grande atraso em seu desenvolvimento, pois ela havia começado a perder o medo de outros humanos do seu orfanato. Abatida, Kamala entrou em um luto prolongado fazendo com que Singh temesse por sua vida também. Mas, eventualmente, Kamala se recuperou e Singh começou um paciente e demorado programa de reabilitação. Desta maneira Kamala viveu durante oito anos na instituição que a acolheu, humanizando-se lentamente. Ela necessitou de seis anos para aprender a andar e pouco antes de morrer só tinha um vocabulário de 50 palavras. As atitudes afetivas comuns entre os humanos foram aparecendo aos poucos.

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Existem algumas dúvidas e controvérsias a respeito da história dessas duas meninas, isso se deve ao fato de existirem diversas versões da história e além disso, a única testemunha a relatar os fatos ficou sendo o Singh, responsável por ter cuidado das meninas. Por este motivo existem consideráveis controvérsias relacionadas a veracidade da história. A maioria dos cientistas consideravam Amala e Kamala crianças com emburrecimento mental e defeitos congênitos. Segundo eles, o “mito” de ter sido criadas por lobos era uma antiga concepção Indiana para explicar o comportamento animalesco de crianças abandonadas com defeitos congênitos.

Em seu livro “L'Enigme des enfants-loup” o cirurgião Francês Serge Aroles afirma que este caso teria sido uma fraude e aponta através de sua pesquisa, diversos indícios para isso.

Em seu livro “L’Enigme des enfants-loup” o cirurgião Francês Serge Aroles afirma que este caso teria sido uma fraude e aponta através de sua pesquisa, diversos indícios para isso.

De acordo com pesquisas mais recentes realizadas pelo cirurgião francês Serge Aroles, é possível garantir que as duas não tinham nenhum tipo de deficiência, o caso de Amala e Kamala é a farsa mais escandalosa relacionada a crianças selvagens. Em seu livro “L’Enigme des enfants-loup” de 2007, Aroles descreveu sua pesquisa a respeito deste famoso e curioso caso. Ele teria se baseado em diversos arquivos e fontes desconhecidas, após esse estudo ele pode chegar a várias conclusões, como por exemplo:

  • O diário original o qual Singh dizia ter escrito “dia após dia durante a vida das duas garotas-lobas” é falso. Ele foi escrito na Índia depois de 1935, seis anos após a morte de Kamala (O manuscrito original é mantido na divisão de manuscritos da biblioteca dos Estados Unidos do Congresso em Washington, D.C.);
  • A foto mostrando as duas garotas-lobas andando de quatro, comendo carne crua, e outros, foram tiradas em 1937, depois da morte das garotas. As fotos, na verdade, mostram duas garotas de Midnapore posando a pedido de Singh. O corpo e rosto da garota nas fotos são totalmente diferentes do corpo e rosto de Kamala, como se pode ver em suas verdadeiras fotos;
  • De acordo com o médico responsável pelo orfanato, Kamala não tinha nenhuma das anomalias inventadas por Singh, tais como dentes longos e pontudos, locomoção de quatro com articulações rígidas, visão noturna com emissão de um brilho azul intenso a partir de seus olhos durante a noite.
  • De acordo com diversos depoimentos confiáveis coletados em 1951-1952, Singh costumava bater em Kamala para fazê-la agir como descrito na frente de visitantes;
  • A fraude foi desenvolvida para ganho financeiro. Aroles mostra em seu livro cartas entre Singh e o Professor Robert M. Zingg, nas quais Zingg expressa sua crença no valor financeiro da história;
  • Depois de suas publicações do diário de Singh, Zingg enviou US$500 para Singh, que estava desesperadamente precisando de dinheiro para manter seu orfanato;

Após algum tempo foi comprovado por especialistas que Kamala tinha defeitos mentais e era afetada pela Síndrome de Rett, uma síndrome definida como uma desordem do desenvolvimento neurológico. Ela era uma síndrome relativamente rara, tendo sido reconhecida pelo mundo apenas no início da década de 1980.

 

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 Prava, criado por pássaros

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Este caso se tornou conhecido em 2008, depois que assistentes sociais encontraram um menino vivendo em um pequeno apartamento em Kirovsky, na Rússia, o menino vivia como se fosse um passarinho, literalmente. O pequeno tinha 7 anos de idade e morava sozinho com a mãe, que o mantinha confinado em um quarto repleto de gaiolas, dezenas de pássaros, fezes de animais e comida para aves. Era um garoto de sete anos que só podia se comunicar chilreando depois que sua mãe o criou como um pássaro e praticamente como um animal de estimação. O menino foi resgatado por trabalhadores russos.

Relatos na mídia russa afirmam que a criança, que sofre de “síndrome de Mowgli”, foi encontrada em um pequeno apartamento de dois quartos que parecia mais como uma gaiola gigante ou um aviário. O local era preenchido com gaiolas contendo dezenas de pássaros, ração de pássaros e excrementos de pássaros.

A assistente social Galina Volskaya, que ajudou a resgatar o “garoto-pássaro” de sua casa em Kirovsky, Volgograd, disse ao jornal russo Pravda que ele foi tratado como outro animal de estimação por sua mãe de 31 anos. Segundo ela, sua mãe nunca falou com ele, explicou a Sra. Volskaya, a única comunicação do menino era com os pássaros dos quais ele estava cercado.

“Quando você começa a falar com ele”, ela disse, “ele chilreia”.

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As autoridades russas dizem que a criança não foi prejudicada fisicamente, mas que sofre de uma síndrome chamada “síndrome de Mowgli”, que recebeu o nome do famoso personagem do livro da selva criado por animais selvagens e não pode se envolver em nenhuma comunicação humana normal.

Galina Volskaya relatou alguns fatos sobre o garoto para um jornal local:

  • “(Sua mãe) tinha seus próprios pássaros domésticos e alimentava o menino como se ele fosse um dos animais selvagens.
  • (Ela) não o espancava e nem o deixava sem comida.
  • Ela nunca se comunicou com ele, todos os sons e barulhos emitidos e aprendidos pelo garoto foram obtidos pela convivência junto aos pássaros.
  • Quando ele percebia que não era entendida ele começava a piar feito um pássaro e quando ficava mais nervoso ainda , começava a sacudir os braços, imitando o movimento das asas de um pássaro.

O menino está temporariamente morando em um asilo, mas logo será transferido para um centro de atendimento psicológico, de acordo com relatórios. Sua mãe assinou um formulário de abdicação para libertá-lo depois que ele foi descoberto em seu cativeiro.

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 Oxana Malaya – Criada por Cachorros

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Oxana Oleksandrivna Malaya foi encontrada aos 8 anos por um vizinho, vivendo como uma criança selvagem na Ucrânia em 1991, tendo vivido grande parte da sua vida na companhia de cães. Por esse motivo, ela criou uma série de hábitos aprendidos com os cachorros, tornando difícil até mesmo de ensinar a menina a falar normalmente. Atualmente ela vive numa clínica em Baraboy, Odessa, para pessoas com deficiência mental.

A história começa quando ela tinha três anos e seus pais alcoólatras e negligentes esqueceram Oxana do lado de  fora de casa durante uma noite fria, e ela com frio e desorientada, encontrou abrigo em uma barraca onde eles deixavam alguns cachorros.

Ninguém veio cuidar dela ou nem pareciam notar que ela estava sumida, então ela ficou onde tinha calor e comida, carne crua e restos, esquecendo-se do que era ser uma humana, perdendo a pouca linguagem que tinha e aprendendo a sobreviver como um membro da matilha. “Eu falava com eles, eles latiam, e eu imitava. Esse era o nosso meio de comunicação.” conta Oxana.

Depois de cinco anos, um vizinho reportou as autoridades que desconfiava que uma criança estivesse vivendo com animais ao lado de sua casa. Quando ela foi achada, Oxana mal podia falar, corria de quatro e latia, imitando aqueles que cuidaram dela durante todo esse tempo. Se ela tinha uma coceira atrás da orelha, ela coçava com o pé de maneira semelhante a que os cachorros faziam.

Apesar de que Oxa talvez visse humanos à distância com certa frequência, e parecia ter entrado ocasionalmente na casa da família como uma vagante, eles não eram mais a sua espécie: toda a sua vida significativa estava contida num canil.

Em um vídeo no Youtube, podemos ver Oxana demonstrando seu comportamento animal, no vídeo Oxana já está mais velha, porém ela mostra como era o seu comportamento enquanto convivia com os animais.

Ela anda de quatro na grama espessa, arquejando para a água com a língua para fora. Quando ela chega na torneira ela bate com a frente do pé no chão, bebe a água com a boca aberta e deixa a água escorrer sobre sua cabeça.

Até este ponto, você pensaria que a garota está atuando, mas no momento que ela balança a cabeça e pescoço para se livrar das gotas de água, exatamente como um cachorro quando está molhado, você tem um sentimento estranho de que isto é algo além da imitação. Então, ela late.

O som furioso que ela faz não é como um ser humano fingindo ser um cachorro. É uma exata e assustadora explosão de raiva canina e está vindo da boca de uma jovem mulher, vestida com short e camisa.

No vídeo Oxana está com 23 anos, e revela o comportamento que ela aprendeu quando era uma criança sendo criada por uma matilha de cães em uma fazenda decadente na vila de Novaya Blagoveschenka, na Ucrânia. Quando ela mostrou ao seu namorado o que ela um dia foi e o que ainda podia fazer,  os latidos, os ruídos e a corrida de quatro “patas”  ele se assustou e o relacionamento deles acabou devido a isso.

Julgando pela completa falta de documentos escritos sobre o seu estado físico e psicológico quando foi encontrada, as autoridades não pareciam querer documentar o caso dela, o que foi uma enorme negligência,  apesar de ser de grande e contínuo o interesse para psicólogos que acreditam que crianças selvagens podem ajudar a resolver um grande debate travado entre natureza-educação.

O que se sabe sobre “a Garota-Cachorro” foi passado de ouvido para ouvido, por doutores e cuidadores de pessoas com deficiência.

  • “Ela era como um animal pequeno. Ela andava sobre os quatro membros. Ela comia como um cachorro”.

Em 2006, a psicóloga infantil britânica e especialista em crianças selvagens Lyn Fry, foi à Ucrânia com uma equipe do Channel 4 para conhecer Oxana, que vive hoje em uma casa para deficientes mentais. Cinco anos depois foi lançado um documentário na Discovery Channel sobre ela, eles queriam saber se ela havia conseguido se integrar na comunidade. Fry estava ansiosa para saber a quão danificada a garota estava.

  • “Eu esperava alguém muito menos humano,” disse Fry, a primeira especialista não ucraniana a conhecer Oxana.
  • “Eu tinha ouvido histórias de que ela perdia o controle, que ela não cooperava e que ela era socialmente inepta, mas ela fez tudo que eu pedi para ela fazer.”
  • “A linguagem dela é estranha. Ela fala de maneira direta como se fosse uma ordem. Não há cadência, ritmo ou música na fala dela, nenhuma inflexão ou tom. Mas ela tem senso de humor. Ela gosta de ser o centro das atenções, de fazer as pessoas rirem. Se mostrar é uma habilidade surpreendente quando você considera as origens dela.”
  • “Ela teve uma ótima impressão sobre em mim. Quando eu fiz um presente para ela com alguns brinquedos de madeira de animais que nós usamos em alguns testes, ela me agradeceu. Superficialmente, você nunca saberia que essa era uma jovem mulher que teria sido criada por cachorros.”

No filme, Oxana parece descoordenada e com modos de garoto. Quando ela anda, você nota o modo de andar pesado dela e os ombros oscilantes, o olhar semi-cerrado intermitente e os dentes meio deformados. Apesar disso, ela é muito bonita.

Como um cachorro com um osso, o seu primeiro instinto era esconder tudo que lhe era dado. Ela tinha apenas 152 cm, mas quando ela brincava com os amigos, empurrando, havia um palpável ar de ameaça e força bruta.

Depois de uma série de testes cognitivos, Fry concluiu que Oxana tinha a capacidade mental de uma criança de seis anos e um baixíssimo limite de tédio (se entedia facilmente). Ela podia contar, mas não somar. Ela também não consegue ler e nem soletrar o nome dela corretamente.

Ela tem dificuldades de aprendizado, mas não é autista, como é pensado que as crianças criadas por animais são. Ela tem orgulho do seu grande relógio de pulso e seu vários toques musicais, mas não sabe dizer as horas.

Especialistas concordam que a não ser que uma criança aprenda a falar até os cinco anos, o cérebro fecha a janela de oportunidade de aprender uma língua, uma forte característica de ser humano.

Oxana conseguiu aprender a falar de novo porque ela tinha uma fala infantil antes de ser abandonada. Em uma escola de orfanato, eles a ensinaram a andar de pé, a comer com as mãos e, crucialmente, a se comunicar como um ser humano.

A definição de criança selvagem é alguém que, desde uma pequena idade, viveu isolada do contato humano, inconsciente do comportamento social humano e sem ser exposta à linguagem.

Por uma intérprete, Oxana disse à Fry que a mãe e o pai “esqueceram completamente dela.” Eles brigavam e gritavam a todo o momento. A mãe batia nela, fazendo com que ela urinasse de tanto medo. Ela diz que ela ainda vai sozinha à floresta quando está chateada.

Apesar de saber que é socialmente inaceitável latir, ela certamente pode, como as primeiras cenas do documentário Feral Children mostram. Lisa Plasco, produtora executiva, diz:

  • “Ela foi educada longe de todos os aspectos do passado dela. Mas privadamente, eu acho que ela ainda late. O volume do som pode ter sido aumentado no filme, mas ela certamente fez aqueles barulhos.”

Foi uma similar demonstração de comportamento canino que assustou o seu recente namorado. “Ser confrontado com o que ela era, disse Fry, o fez largar dela.”

Neste vídeo podemos ver Oxana em uma entrevista mais recente, a entrevista é longa, e está em outra língua, porem se você ativar a legenda do Youtube você poderá entender grande parte dela. Podemos ver que apesar de tudo Oxana conseguiu ter uma vida normal, e hoje se comunica até que bem.

Em outra entrevista recente e exclusiva dada ao Programa Domingo Espetacular, podemos ver várias pessoas que tiveram participação na história da menina Oxana e conferir vários relatos destas pessoas, inclusive da própria garota, confira abaixo alguns destes relatos: 

De acordo com a reportagem existiam diversos registros da passagem da menina em um orfanato, e esses registros eram bem contundentes: Oxana apresentava enorme agressividade, além de possuir vocabulário fraco, terror noturno e parcos hábitos de higiene. Sendo assim, acabou enviada para um hospital psiquiátrico.

De acordo com a reportagem existiam diversos registros da passagem da menina em um orfanato, e esses registros eram bem contundentes: Oxana apresentava enorme agressividade, além de possuir vocabulário fraco, terror noturno e parcos hábitos de higiene. Sendo assim, acabou enviada para um hospital psiquiátrico.

 

Professora da 'menina cachorro' no passado, essa senhora chamada Nadieska conta que nunca tinha visto ninguém agir daquela maneira. Somente uma coisa acalmava a menina que latia o tempo inteiro: ficar com os com os cachorros, com quem divida a comida.

Professora da ‘menina cachorro’ no passado, essa senhora chamada Nadieska conta que nunca tinha visto ninguém agir daquela maneira. Somente uma coisa acalmava a menina que latia o tempo inteiro: ficar com os com os cachorros, com quem divida a comida.

 

Essa enfermeira se lembra de que o caso de Oksana chocou a todos no hospital. Para chamar a atenção dela, as funcionárias tinham que usar um bastão de madeira, como se faz com os cães. Apesar de ter reproduzido o comportamento de um animal durante os cinco anos que ali viveu, a menina foi melhorando pouco a pouco graças a um trabalho árduo de terapia.

Essa enfermeira se lembra de que o caso de Oksana chocou a todos no hospital. Para chamar a atenção dela, as funcionárias tinham que usar um bastão de madeira, como se faz com os cães. Apesar de ter reproduzido o comportamento de um animal durante os cinco anos que ali viveu, a menina foi melhorando pouco a pouco graças a um trabalho árduo de terapia.

Oxana foi considerada reabilitada quando tinha 13 anos. Mas e o vídeo, que mostra uma menina com aparência mais velha? Era então uma mentira?  De acordo com a psiquiatra que tratou Oksana, a resposta é não. Tatiana Zenkovskaya conta que as imagens foram gravadas no pátio do hospital quando a menina tinha 16 anos. Na época ela estava, de fato, curada e apenas reproduziu seu comportamento do passado a pedido de uma equipe que fazia um documentário no local, conforme explicamos anteriormente. O problema é que essa encenação fez a adolescente regredir e ela voltou a agir com um animal. Por conta disso, Oxana foi transferida para um orfanato na cidade de Baraboy, onde vive até hoje, com 34 anos de idade.

A mulher aceitou conversar com o programa Domingo espetacular. A matéria foi realizada em 2015, nela, Oxana diz que atualmente, ela pouco lembra a criança perturbada do passado.

A mulher aceitou conversar com o programa Domingo espetacular. A matéria foi realizada em 2015, nela, Oxana diz que atualmente, ela pouco lembra a criança perturbada do passado.

 

As memórias de Oxana são nebulosas. Ela diz que só lembra que uma mulher a ensinou a andar com duas pernas e também de fugir de pessoas engatinhando. Na verdade, eram essas eram as enfermeiras do hospital onde ela foi tratada.

As memórias de Oxana são nebulosas. Ela diz que só lembra que uma mulher a ensinou a andar com duas pernas e também de fugir de pessoas engatinhando. Na verdade, eram essas eram as enfermeiras do hospital onde ela foi tratada.

A ucraniana ainda faz uma confissão: quando está sozinha, volta a engatinhar. De acordo com especialistas, esse comportamento se explica pelo fato de que na infância traumática, ela se sentia melhor entre os animais do que com estando com as pessoas.

Nessa entrevista Oxana pareceu totalmente reabilitada e com aparência bem alegre e demonstrou estar feliz e recuperada! Seguindo sua vida no orfanato que a aceitou.

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John Ssebunya, Criado por Macacos

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 A vida não poderia ter começado pior para John Ssebunya. Kabonge Nascido em uma vila perto de Bombo, Uganda. Com apenas dois anos o pobre menino testemunhou seu pai matar sua mãe e, com medo de morrer da mesma maneira, o pobre menino fugiu para a selva, onde ele perdeu todo o contato com a sociedade.

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O fato de seu desaparecimento ficou esquecido por anos. Três anos depois, em 1991, uma mulher de uma tribo próxima, enquanto procurava algum alimento na selva, encontrou com um garoto de aproximadamente 5 anos. A moça, assustada, então voltou imediatamente para a aldeia para informar o resto da tribo sobre o que ela havia encontrado, deste modo várias outras pessoas da tribo voltaram para o local, onde eles encontraram não só uma criança que relutava em ir com eles, mas toda uma família de macacos que também lutavam, batendo varas e pedras para evitar que os homens levassem a criança.

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Por três anos, John Ssebunya tinha sido criado e adotado por uma família de macacos, que depois foram identificados como sendo de uma espécie chamada vervet verde, o que não só permitiu que ele se juntasse ao grupo, mas também lhe ensinou todos seus costumes, bem como os métodos necessários para a sobrevivência da selva. Finalmente, eles conseguiram levar John para um orfanato cristão nas proximidades. Naquela época, John sofria de hipertricose, uma deformidade bastante comum em crianças selvagens, seu corpo estava cheio de cicatrizes e feridas, não tolerava alimentos cozidos e suas marcas nos joelhos mostravam que ainda não havia aprendido a caminhar.

Ao longo de oito anos, John adaptou-se aos costumes humanos, aprendendo a caminhar e desaparecendo ainda mais sua hipertricoses. Mas também ensinou-lhe todos os seus costumes, bem como os métodos necessários para a sobrevivência da selva. Finalmente, eles conseguiram levar John para um orfanato cristão nas proximidades.

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Outros humanos da aldeia já tinham avistado o menino algumas vezes pela redondeza, mas ninguém havia tentado atraí-lo até que Milly, uma vizinha, o encontrou em uma árvore e acionou alguns dos seus vizinhos para ajudar a recuperar o menino dos macacos. Finalmente, eles poderiam levá-lo e levá-lo para uma casa. John estava coberto de cabelos, visivelmente doente e desnutrido. Quem foi ao banheiro com ele ficou surpreso com os vermes que haviam nas fezes do garoto. A comunidade para protegê-lo o escondeu  por muito tempo como um órfão, até que a notícia se espalha-se tornando a instituição de caridade famosa nas notícias. Anos depois o menino já estava conversando e comendo quase como os outros, tornou-se o membro mais famoso do coral infantil do orfanato local. O menino, John Ssebunya, teve tanto medo de perder a sua vida que ele nunca mais voltou para a floresta. Muito tempo depois, ele lembrou de seu tempo junto com os macacos: “Foi muito assustador, mas depois vi os macacos e eles me trouxeram toda a comida.” Os macacos costumavam me amar – ficávamos juntos o tempo todo.

Todos agradecimentos do garoto vão para a Molly e Paul da Child Care Foundation por terem ido para a aldeia onde ele se encontrava e o adotaram como filho, deste modo o menino tornou-se membro do coral das crianças da pérola da África e também participou das olimpíadas especiais. Agora, um homem completamente adulto, ele tem sua própria casa e espera se casar com uma esposa, para que assim, ele também possa começar sua própria família. Muitos documentários foram feitos sobre a história desse garoto, alguns dos quais incluem BBC, National Geographic Channel, Dragon Fly Production Company UK e ele também apareceu no JENSEN Talk Show nos Países Baixos. Nesta matéria especial sobre crianças selvagens realizada pelo Domingo Espetacular podemos ver parte da vida de hoje do garoto que foi criado por macacos:

 

Nesta segunda parte da matéria, o Domingo Espetacular continua falando de John e termina falando de alguns casos que já falamos acima, vale a pena conferir também:

 

 

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Rochom P’ngieng, A mulher selvagem

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Rochom P’ngieng, é mais um caso de uma menina selvagem, ela é cambojana nascida em 1979 e sumiu de casa quando tinha aproximadamente 9 anos, quando teria se perdido na selva enquanto pastoreava alguns búfalos da família. A menina teria aparecido somente 19 anos depois, em 19 de janeiro de 2007.

O anúncio de seu aparecimento chamou a atenção da mídia internacional. Sua história foi equiparada com a de Mogli, protagonista do livro Rudyard Kipling, e ficou conhecida como “a menina da selva” já que se criou como uma menina selvagem e permaneceu na selva por tanto tempo.

Rochom perdeu-se na floresta próxima do sítio de sua família enquanto tomava conta dos búfalos com um primo. Foi descoberta 19 anos depois por um camponês quando tentava roubar comida em seu celeiro. O camponês entregou a moça à polícia local, dando-se a casualidade que um dos policiais locais era seu pai, que reconheceu nela uma cicatriz em suas costas. Os pais, no início, aceitaram submeter-se a testes de DNA para comprovar o parentesco, mas posteriormente revogaram seu consentimento.

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Quando foi encontrada, a mulher tinha a pele suja e o cabelo desgrenhado até os calcanhares. Desde seus primeiros dias após ser achada começou a ter problemas para adaptar-se à civilização. Não sabia mais falar, emitia rosnados e se negava a usar roupas. Os policiais locais informaram que ela somente podia dizer três palavras, “papai”, “mamãe” e “dor de barriga”. Preferia caminhar de cócoras em vez de erguida. Quando tinha fome ou sede, apontava a sua boca. Tinha que ser constantemente vigiada por sua família, já que continuamente tentava fugir, e sua mãe tinha que vesti lá várias vezes, pois ela teimava em tirar as suas roupas.

Um jornalista do diário britânico The Guardian “levantou a lebre” de que, além da cicatriz que permitira a sua identificação por parte de seu possível pai, Rochom tinha outras cicatrizes, ainda mais notórias, e conspirou que suas extremidades não pareciam ter marcas de que tivesse vivido longo tempo na selva. Disse também que ela aprendeu a utilizar uma colher sem que fosse instruída e que acreditava que eventualmente ela poderia ter sido vítima de cativeiro no passado da própria família.

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Com isso, uma organização de direitos humanos decidiu interferir no caso, pois temiam que seria um grande trauma na vida da menina regressar a vida civilizada, isso tudo enquanto especulavam que ela poderia ter sido uma vítima de abuso. Por sua vez, outra organização humanitária local, Adhoc, sustentou que o fluxo de visitantes podia acarretar um enomr estresse a Rochom. Ambos os grupos ofereceram seu apoio para pagar as despesas médicas para seu diagnóstico e tratamento.

Em 25 de maio de 2010 Rochom desapareceu e a mídia começou a informar que ela teria fugido novamente com destino à selva sem deixar rastros. Seu pai disse que ela foi tomar um banho no poço atrás de sua casa e nunca mais voltou. Mas Rochom foi encontrada 11 dias depois em uma latrina a uns 100 metros de sua casa, segundo seu pai, Sal Lou. Um vizinho escutou-a chorando na fossa a 10 metros de profundidade:

  • – “É uma história incrível. Passou 11 dias ali, ninguém entende como sobreviveu”, disse, acrescentando que estava empapada de resíduos até o queixo.
  • – “Ainda estamos pensando como conseguiu entrar ali”, comentou. O banheiro ao ar livre, no caso, era apenas um buraco coberto de madeira, como as “antigas casinhas”.

Rochom foi internada em um hospital depois de ser resgatada da fossa, mas tão logo cessou a ação do calmante, arrancou uma sonda intravenosa administrada por um médico e se negou a outros tratamentos.

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Em setembro de 2010, relataram que ela estava aprendendo hábitos de saúde e habilidades sociais com membros da ONG Psicólogos Sin Fronteras. Já em maio de 2011 um relatório da mesma organização acrescentou que ela era visitada pelos psicólogos pelo menos uma vez por semana.

No entanto Rochom preferiu continuar distante da sociedade. Hoje ela vive e dorme em um pequeno galinheiro perto da casa da sua família, que visita a cada três ou quatro dias para se alimentar. Ela ainda não fala muita coisa, mas já aprendeu mais algumas palavras do idioma local, Rochom continua com seu olhar triste e desconfiado, como se alguma coisa a machucasse a todo o momento, porem, com o tempo ela teria começado a fazer contato visual com algumas pessoas e isso está mudando pouco a pouco.

 

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Ivan Mishukou, criado por cachorros de rua

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Quando a União Soviética entrou em colapso em 1991, uma nova Rússia independente se viu lutando para pegar as peças com uma economia quase quebrada e uma queda severa no padrão de vida. Foi nesses tempos difíceis que nasceu Ivan Mishukov.

ZHUKOVSKY, RUSSIA. 17/7/98. Six year old, Ivan Mishukov at the children's sanitorium where he is recovering after allegedly spending two years living with a pack of stray dogs. His father is in prison and his alcoholic mother abandoned him, he was sharing an appartment with his grandfather, 17 year old sister and her baby son.

Em 1996, a situação econômica da Rússia tinha visto pouca melhoria. Devido às dificuldades enfrentadas pelas pessoas, as famílias se separaram e o número de crianças da rua aumentou drasticamente. Foi um destino triste que Ivan e sua família não conseguiram escapar.

Com uma mãe mal preparada e um pai alcoólatra em casa, Ivan, que tinha apenas quatro anos na época, fugiu e acabou nas ruas frias de Moscou como tantos outros filhos. Mas tudo não estava perdido, porque era aqui que ele se achava uma família nova e mais amorosa, uma série de cachorros perdidos.

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Como a maioria das crianças que se encontra na rua, Ivan implorou por restos dos transeuntes para sobreviver. Mas ao contrário de seus pares sem-teto, Ivan sempre compartilhou o que ele conseguiu com um pacote particular de cães. Foi um ato de bondade que não foi desperdiçado para os animais, pois eles logo gostaram do menino e o adotaram como um deles. E com o primeiro inverno de Ivan nas ruas de Moscovo a aproximar-se rapidamente, sua nova família encontrada não poderia ter chegado em melhor momento.

Os Invernos de Moscovo são notoriamente brutais e podem arrasar até 5 meses, com temperaturas que caem para -10 ° C e raramente espreitando acima de 0 ° C. Esses extremos tornaram a vida nas ruas durante o inverno particularmente desagradável e muitas vezes com risco de vida. Felizmente para Ivan, seu pacote – tendo sobrevivido a muitos invernos nas próprias ruas – estava pronto para ajudar quando as temperaturas começaram a cair.

À noite, os cachorros cercavam Ivan e dormiam com ele. O calor do corpo ajudou a isolar o garotinho do frio e protegê-lo das camadas de neve que costumavam cobrir a cidade. Mas esse não era o seu único dever. Os cães também protegiam Ivan atacando qualquer um que se atrevesse a tentar magoá-lo ou roubar o pouco que ele e seu pacote tinham.

Foi assim que Ivan passaria os próximos dois anos nas ruas. Ele pedia comida durante o dia para compartilhar com seu pacote, enquanto eles, por sua vez, o tornavam o líder do bloco e o mantinha seguro.

Esta história notável da criança feroz de Moscou e seus cachorros desviados logo chegaram aos ouvidos da polícia da cidade, que tentaram “resgatar” Ivan em três ocasiões. Cada vez que o pacote de Ivan veio em auxílio de seu líder e o ajudou a escapar defendendo ferozmente.

Em sua quarta tentativa de resgate, a polícia finalmente conseguiu atrapalhar o pacote de Ivan para longe dele com isca colocada em uma cozinha de restaurante. Ivan tinha seis anos no momento da sua captura e tentou afastar os oficiais gritando com eles como um de seus cachorros.

Além de ter pulgas e piolhos, Ivan foi em surpreendentemente boa saúde quando ele foi trazido; Um testemunho do grande cuidado que sua família canina forneceu. Os dois anos no pacote também não afetaram demais o seu discurso, o que significava que Ivan foi facilmente reintroduzido na sociedade.

Kronstadt, Russia, 21/02/2004. 11 year old Ivan Mishukov is a student at the Naval Kadetskii Korpus, the school of the elite Kronstadt Naval Academy. Abandoned by his alcoholic parents at the age of 3, Ivan lived for 2 years with a pack of wild dogs in his home town of Reutov before being rescued by police and taken to a children's home; he was subsequently adopted by Tatiana Bababina.

Infelizmente, a mãe de Ivan havia morrido três meses antes do resgate, o que o levou a passar algum tempo no centro de crianças de Reutov, em Moscou. Ele finalmente foi colocado com uma familia amorosa e passou a se formar na escola militar.

Hoje, Ivan é um membro bem ajustado da sociedade e apareceu recentemente na televisão russa e ucraniana para contar o tempo que passou junto de seus companheiros caninos. Sua história é um exemplo emocionante do vínculo poderoso que o homem e os cães compartilham, e apenas mostra que às vezes os membros mais carinhosos da família vêm com peles e quatro pernas.

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Mais casos de crianças criadas por animais

Como podemos notar a partir dessas histórias, existem várias crianças que por algum acaso do destino, maus tratos ou neglicencia tiveram a necessidade e a sorte de serem acolhidas por seres de raças diferentes das nossas. Estes casos que contamos anteriormente foram bem documentados e retratados na história, porem, existem dezenas de outros casos, que contam histórias semelhantes a estas, onde crianças selvagens são mencionadas e encontradas ao longo do tempo. Nós separamos para vocês mais alguns destes casos abaixo:

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Shamdeo, criado por lobos

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Shamdeo foi o nome dado a um menino com idade estimada em quatro anos que foi descoberto na floresta de Musafirkhana, na Índia, em meados de 1972. Quando foi encontrado, o garoto apresentava a pele escurecida, as unhas compridas e curvadas para baixo, como se fossem garras, calos nas mãos, nos joelhos e cotovelos, dentes afiados. Ele estava brincando com filhotes de lobo no momento de sua descoberta.

O menino foi levado para viver no vilarejo de Narayanpur e, apesar de desenvolver a habilidade de se comunicar através de sinais, ele nunca aprendeu a falar. Shamdeo gostava de caçar galinhas, comia terra e era fã de carne crua e sangue, mas, com o tempo, o convívio com humanos o levou a ir deixando seus antigos hábitos alimentares para trás.

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Em 1978, o garoto foi enviado a uma instituição de caridade comandada pela Madre Teresa de Calcutá conhecida como “Prem Niwas”. Lá ele foi rebatizado com o nome de Pascal, e permaneceu no local até o seu falecimento, em 1985.

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Madina, criada por cachorros

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Madina viveu com os cachorros desde o nascimento até os 3 anos de idade, compartilhando comida, brincando com eles e dormindo com eles quando estava frio no inverno. Quando os trabalhadores sociais a encontraram em 2013, ela estava nua, caminhando de quatro e rosnando como um cachorro.
O pai de Madina deixou a casa da família pouco tempo depois de seu nascimento. Sua mãe, de 23 anos, era alcoólatra e totalmente irresponsável. Ela freqüentemente estava muito bêbada para cuidar de sua filha e muitas vezes desaparecia de casa por dias. Ela freqüentemente convidava os alcoólatras locais para visitarem a sua casa. A mãe da menina costumava se sentaria à mesa para comer enquanto a filha roía os ossos no chão e comia os restos junto aos cachorros.  Quando foi encontrada, a menina sabia falar somente 2 palavras, sim e não  e preferia se comunicar como os cães. Por sorte e por ter sido encontrada ainda bem pequena, os médicos relataram que a Madina é mental e fisicamente saudável, apesar de sua provação. Existe uma boa chance de que ela tenha uma vida normal no futuro.

adina (esquerda) se comunica como os cães: rosnando.

Madina (esquerda) e sua mãe alcoólatra e negligente a direita.

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Genie, criada sob total confinamento

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Nem sempre os casos de crianças selvagens envolvem animais, o termo é dado a pessoas que foram privadas do convívio com humanos e este talvez seja o pior caso deles. A história de Genie surgiu em 4 de novembro de 1970, em Los Angeles, Califórnia. Uma trabalhadora social descobriu a garota de 13 anos depois que sua mãe procurou os serviços de assistência. O assistente social logo descobriu que a menina tinha sido confinada por muito tempo em uma pequena sala e uma investigação por parte das autoridades revelou rapidamente que a criança passara a maior parte de sua vida nesta sala, muitas vezes amarrada a uma cadeira de potinho.

A menina recebeu o nome de Genie em seus arquivos, para proteger sua identidade e privacidade. “O nome do caso é Genie. Este não é o nome verdadeiro da pessoa, mas quando pensamos sobre o que é um gênio, um gênio é uma criatura que sai de uma garrafa ou o que quer que seja, mas surge na sociedade humana após a infância. Nós assumimos que ela realmente não é uma criatura que teve uma infância humana “, explicou Susan Curtiss em um documentário de 1997 intitulado Secrets of the Wild Child . No vídeo abaixo podemos ver a menina caminhando com dificuldade no pátio do hospital, Genie tentar brincar com uma bola e aproveita para desbravar o novo ambiente.

Ambos os pais foram acusados de abuso, mas o pai de Genie cometeu suicídio no dia anterior à sua aparição no tribunal, deixando uma nota afirmando que “o mundo jamais entenderá”.

A vida de Genie antes de sua descoberta foi uma privação absoluta. Ela passou a maior parte de seus dias amarrada nua a uma cadeira, apenas capaz de mover as mãos e os pés. Quando ela fazia barulho, seu pai a espacava. Seu pai, mãe e irmão mais velho raramente falavam com ela. As raras vezes que seu pai interagiu com ela, foi latindo ou rosnar.

A história de seu caso logo se espalhou, atraindo a atenção do público e da comunidade científica. O caso era importante, afirmou o psicólogo e autor Harlan Lee, porque “nossa moral não nos permite realizar experiências de privação com seres humanos, essas pessoas infelizes são tudo o que temos para entender melhor este estado”. Com tanto interesse em seu caso, a questão tornou-se o que deveria ser feito com ela. Uma equipe de psicólogos e especialistas em línguas iniciou imediatamente o processo de reabilitação de Genie. O Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) se responsabilizou e forneceu financiamento para pesquisas científicas sobre o caso de Genie.

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“Eu acho que todos os que entraram em contato com ela foram atraídos por ela. Ela tinha uma maneira de chegar, que mesmo sem dizer qualquer coisa, apenas com o seu olhar as pessoas sentiam vontade de fazer coisas por ela “, disse o psicólogo David Rigler, parte da” equipe do Genie “.

Sua equipe de reabilitação também incluiu a estudante de pós-graduação Susan Curtiss e psicóloga James Kent. Após sua chegada inicial à UCLA, a equipe local encontrou uma menina que pesava apenas 59 libras, cerca de 26 quilos, e andava de uma forma estranha. Ela frequentemente cuspia e não conseguia endireitar os braços e as pernas. Silenciosa, incontinente e incapaz de morder, ela inicialmente parecia apenas capaz de reconhecer seu próprio nome e a palavra “desculpe”.

Depois de avaliar as habilidades emocionais e cognitivas da Genie, Kent descreveu-a como “a criança mais profundamente danificada que eu já vi … A vida de Genie é uma terra perdida”. Seu silêncio e incapacidade de usar o idioma dificultaram a avaliação de suas habilidades mentais, mas em testes, ela marcou aproximadamente o nível de um ano de idade.

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Ela logo começou a fazer progressões rápidas em áreas específicas, aprendendo rapidamente a usar o banheiro e a vestir-se. Nos próximos meses, ela começou a apresentar um maior progresso no desenvolvimento, mas permaneceu pobre em áreas como a linguagem. Ela gostava de passear fora do hospital e explorar todo o seu novo ambiente com uma intensidade que impressionava seus cuidadores e os estranhos que a observavam. Curtiss sugeriu que Genie tinha uma forte capacidade de se comunicar de forma não verbal , muitas vezes recebendo presentes de estranhos que pareciam entender a poderosa necessidade da jovem de explorar o mundo à sua volta.

Parte da razão pela qual o caso de Genie fascinou os psicólogos e lingüistas tão profundamente, foi que este caso apresentou uma oportunidade única para estudar um debate muito contestado sobre o desenvolvimento do idioma. Os nativistas acreditam que a capacidade de linguagem é inata, enquanto os empiristas sugerem que são variáveis ambientais que desempenham um papel fundamental. Essencialmente, ele se resume ao debate antigo sobre a natureza e a educação . A genética ou o ambiente desempenham um papel maior no desenvolvimento de linguagem?

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Nativista Noam Chomsky sugeriu que a aquisição de linguagem não poderia ser totalmente explicada pela aprendizagem isolada. Em vez disso, ele propôs que as crianças nascessem com um dispositivo de aquisição de idioma (LAD), uma habilidade inata de entender os princípios da linguagem. Uma vez exposto ao idioma, o LAD permite que as crianças aprendam o idioma a um ritmo notável.

O lingüista Eric Lenneberg sugere que, como muitos outros comportamentos humanos, a capacidade de adquirir linguagem está sujeita aos conhecidos períodos críticos. Um período crítico é um período limitado de tempo durante o qual um organismo é sensível a estímulos externos e capaz de adquirir certas habilidades. De acordo com Lenneberg, o período crítico para a aquisição da linguagem dura até os 12 anos. Após o início da puberdade, argumentou, a organização do cérebro se torna definida e não é mais capaz de aprender e utilizar a linguagem de maneira totalmente funcional.

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O caso da Genie apresentou aos pesquisadores uma oportunidade única. Se tivesse um ambiente de aprendizagem enriquecido, ela poderia superar sua infância privada e aprender linguagem, embora ela tivesse perdido o período crítico? Se pudesse, sugeriria que a hipótese do período crítico de desenvolvimento de linguagem fosse errada. Se não pudesse, indicaria que a teoria de Lenneberg estava correta.

Apesar de marcar ao nível de um ano de idade após sua avaliação inicial, Genie rapidamente começou a adicionar novas palavras ao seu vocabulário. Ela começou aprendendo palavras únicas e, eventualmente, começou a juntar duas palavras da mesma maneira que as crianças pequenas. Curtiss começou a sentir que Genie seria totalmente capaz de adquirir linguagem.

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Após um ano de tratamento, ela começou a juntar as palavras três vezes. Nas crianças que passam pelo desenvolvimento normal da linguagem , esse estágio é seguido pelo que é conhecido como uma explosão de linguagem. As crianças rapidamente adquirem novas palavras e começam a juntá-las de maneiras novas. Infelizmente, isso nunca aconteceu com o Genie. Suas habilidades de linguagem permaneceram presas nesta fase e ela parecia incapaz de aplicar regras gramaticais e usar o idioma de forma significativa. Neste ponto, seu progresso se estabilizou e sua aquisição de novo idioma parou.

Claro, o caso da Genie não é tão simples. Ela não só perdeu o período crítico de aprendizagem da linguagem, mas também foi abusada horrivelmente durante todo o período em que ficou encarcerada. Ela estava desnutrida e privada de estimulação cognitiva durante a maior parte de sua infância. Os pesquisadores também nunca conseguiram determinar completamente se a Genie sofria de déficits cognitivos preexistentes. Quando criança, um pediatra a identificou como tendo algum tipo de atraso mental. Então, os pesquisadores ficaram em dúvida se se Genie sofria de déficits cognitivos causados por seus anos de abuso ou se ela teria nascido com algum grau de atraso mental.

O psiquiatra Jay Shurley ajudou a avaliar Genie depois que ela foi descoberta pela primeira vez, e ele observou que, como situações como as dela eram tão raras, ela rapidamente se tornou o centro de uma batalha entre os pesquisadores envolvidos em seu caso. Argumentos sobre a pesquisa e o curso de seu tratamento logo entraram em erupção. Genie ocasionalmente passava a noite na casa de Jean Butler, um de seus professores. Após um surto de sarampo, Genie foi colocada em quarentena na casa de sua professora. O mordomo logo tornou-se protetor e começou a restringir o acesso ao Genie. Outros membros da equipe sentiram que o objetivo de Butler era tornar-se famoso pelo caso, em um ponto afirmando que Butler se chamava de a próxima Anne Sullivan, a professora famosa por ajudar Helen Keller a se comunicar.

Eventualmente, Genie foi removida do cuidado de Butler e foi morar na casa do psicólogo David Rigler, onde permaneceu durante os próximos quatro anos. Apesar de algumas dificuldades, ela pareceu estar bem na casa Rigler. Ela gostava de ouvir música clássica no piano e adorava desenhar, muitas vezes achando mais fácil se comunicar através do desenho do que através de outros métodos.

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O NIMH retirou o financiamento em 1974, devido à falta de descobertas científicas. A linguista Susan Curtiss descobriu que, embora Genie pudesse usar as palavras, ela não conseguia formular frases gramáticais. Ela não conseguia organizar essas palavras de forma significativa, apoiando a ideia de um período crítico no desenvolvimento de linguagem. A pesquisa da Rigler foi desorganizada e em grande parte anecdótica. Sem fundos para continuar a pesquisa e cuidar de Genie, ela foi transferida dos cuidados do Rigler.

Em 1975, Genie voltou a viver com a mãe biológica. Mas isso não durou muito tempo, pois sua mãe não deu conta de cuidar da menina, Genie então continuou mudando de casa em casa de acolhimento, onde muitas vezes ela era submetida a novos abusos e negligências. A mãe biológica de Genie então processou o Children’s Hospital de Los Angeles e a equipe de pesquisa, acusando eles de testes excessivos. Enquanto o processo foi eventualmente resolvido, levantaram-se questões importantes sobre o tratamento e cuidados da Genie. A pesquisa teria interferido no tratamento terapêutico da menina?

A situação de Genie continuou a piorar. Depois de passar uma quantidade significativa de tempo em casas de acolhimento, ela voltou para o Children’s Hospital. Infelizmente, o progresso que ocorreu durante sua primeira permanência foi severamente comprometido pelo tratamento subsequente que recebeu em cuidados adotivos. Genie tinha medo de abrir a boca e regrediu de volta ao silêncio.

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Hoje, Genie vive em uma casa de acolhimento adulto em algum lugar do sul da Califórnia. Pouco se sabe sobre sua condição atual, embora um indivíduo anônimo tenha contratado um investigador privado para rastreá-la em 2000 e descreveu-a como feliz. Isso contrasta com o relato do psiquiatra Jay Shurley, que a visitou nos dias 27 e 29 e caracterizou-a como em grande parte silenciosa, deprimida e cronicamente institucionalizada.

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“O que nós tiramos dessa história realmente triste?” Perguntou Harlan Lee no documentário NOVA The Secret of the Wild Child . “Olhe, há um dilema ético neste tipo de pesquisa. Se você quiser fazer ciência rigorosa, os interesses de Genie virão em segundo lugar. Se você apenas se preocupa em ajudar o Genie, então você não faria muita pesquisa científica. Então, o que você vai fazer? Para piorar as coisas, os dois papéis, cientistas e terapeutas , foram combinados em uma pessoa, no caso. Então, acho que as gerações futuras vão estudar o caso de Genie … Não só pelo que pode nos ensinar sobre o desenvolvimento humano, mas também pelo que pode nos ensinar sobre as recompensas e os riscos de realizar “o experimento proibido”.

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Sujit Kumar, criado por galinhas

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A mãe de Sujit cometeu suicídio em 1977 e seu pai foi assassinado e encontrado no porta-malas de seu próprio táxi em 1981. Seus avós idosos o encontraram no meio da estrada uma noite, mas não conseguiram cuidar do pobre garoto.  Os relatos da mídia e as notícias de primeira mão dos vizinhos nos dizem que Sujit foi confinado com galinhas desde o início de sua vida e ficou lá até que os assistentes sociais o movessem para o abrigo Samabula Old People’s Home em 1979. Quando a superintendente do abrigo se encontrou com Sujit, ela disse: “Sujit, na maior parte, ficava rodeado com as galinhas, picava sua comida no chão, pousava e fazia barulho como o chamado de uma galinha. Ele preferiria dormir no chão em vez de dormir em uma cama “.

Ela não o encontrou mentalmente incapacitado. “Ele era apenas diferente dos outros meninos, porque ele estava tão traumatizado e maltratado”.

Mesmo assim, seus cuidadores no Home o amarraram à cama com tiras de roupa de cama. E é aí que Elizabeth Clayton, presidente do Rotary Club de Suva, encontrou o menino no dia 28 de novembro de 2002. Elizabeth contou sua experiência ao encontrar o menino e ela mal sabia que aquele dia ia mudar a sua vida e a vida do menino para sempre:

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Era um dia agradável habitual, o sol estava brilhando e vários rotarianos se reuniram no Samabula Old People’s Home para apresentar uma doação de mesas de jantar de plástico. Eu não percebi, mas minha vida estava prestes a mudar para sempre.

Um colega rotariano me perguntou se eu tinha visto o “garoto galinha” que estava amarrado na casa. Minha imaginação e curiosidade então despertaram naquele momento. Alguém na casa estava sendo descrito como um “garoto galinha”. Ele poderia picar sua comida e bater asas como uma galinha. Quão absurdo, quão desagradável. Certamente, em 2002, em Fiji, um país em desenvolvimento razoavelmente sofisticado, isso não poderia ser real?

Eu estudei ciências comportamentais na universidade, então eu sabia sobre crianças selvagens, particularmente aquelas que haviam sido criadas com lobos, confinados e isolados de outras pessoas. Eu já havia investigado a importância do contato humano nos estágios iniciais de desenvolvimento e estudava as experiências de Bowby ; Compreendi as consequências de um ambiente privado para a neurologia da criança.

lizabeth Clayton não sabia, mas estava prestes a ter sua vida mudada pelo "Garoto Galinha".

lizabeth Clayton não sabia, mas estava prestes a ter sua vida mudada pelo “Garoto Galinha”.

Não consegui chegar a um acordo com o fato de estar prestes a conhecer uma criança real, selvagem que havia sido confinada isoladamente por muitos anos. Como poderia ser isso? Como ele se tornou feral? Por que ele estava amarrado ainda? Quantos anos ele tinha? Quem fez isso com ele? Por que ele estava aqui? Não aguento mais perguntas. Eu precisava chegar a esse garoto para ver em que condição ele estava. Nunca esquecerei o que vi em seguida, mesmo após tanto tempo ainda me faz sentir mal.

O canto da ala na parte de trás da sala não tinha nada de agradável. Sujo, pintura descascando as paredes, o chão faltando azulejos, tudo coberto de mofo, era outro lugar de isolamento. O vidro das janelas tinha sido substituído por Masonite. Alguém fez um pequeno buraco no canto da sala, então, quando o cheiro ficava muito ruim,a urina e as fezes poderiam ser empurradas para fora.

A cama era uma cama de hospital antiga e alta, com um colchão plano coberto por uma capa de plástico amarelada e rachada. Uma lata de pó vazia no canto serviu como um “brinquedo de conforto” para este menino. Ele ficava mexendo de um lado para o outro erraticamente para aliviar o tédio.

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E então havia o “Garoto Galinha”. Com o olhar muito perturbado, pulando de um lado para o outro em uma roupa de cama enrolada que o amarrava à parede perto de sua cama. Era nesse lugar que Sujit Kumar agora vivia sua vida.

Senti náuseas e fique profundamente horrorizada, meu rosto estremeceu em minha boca. Ele estava coberto de feridas e usava calças amarradas em sua cintura com tiras de roupa de cama. Sua camiseta cinza-branca pendia dele. Ele parecia tão pequeno, mas tão selvagem. Ele morava na casa por pelo menos 20 anos. Sua cabeça estava caída e o cabelo no rosto estava longo. Ele era um menino ou um velho?

Ele tentou me morder quando me aproximei. Ele acabou de defecar no chão e começou a brincar com ele. Tudo estava em seu rosto. Ele poderia estar comendo suas próprias fezes? Quando ele se alimentou, ele derrubou sua comida no chão e picou ela, imitando as galinhas com as quais tinha convivido por um longo tempo em sua vida.

Como um menino, criado com animais e amarrado como um animal, possuiria alguma aparência ou comportamento humano? Ele estava aleijado? Não, mas ele parecia estar. Ele estava bravo? Não, mas ele parecia estar. Ele morreria naquele canto?  Esse era um caso sem esperança?

As perguntas continuaram, por que isso aconteceu com ele? O que poderia estar tão errado com ele que ele foi colocado com galinhas? Por que alguém, um vizinho, um parente, um passante, o resgatou? Um parente disse que aos dois anos de idade, Sujit parecia um macaco em uma gaiola; Um vizinho falou sobre como alimentá-lo e só vê-lo na poltrona sob a casa às 4 da manhã, mas nunca informou as autoridades.

Os testes mostraram que Sujit possuia função cerebral normal. Isso significava que a privação ambiental era profunda. Desencadear 30 anos ou mais sem socialização, preenchida com diferentes tipos de abuso, seria uma tarefa formidável. Mas valeria a pena? Claro. Este menino indiano pequeno, magro, selvagem e incontrolável valia absolutamente a pena.

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Elizabeth tirou Sujit do estado miserável que o encontrou. Agora, graças a inúmeros voluntários e doadores, ele vive confortavelmente sob seus cuidados no The Happy Home, uma instituição criada apenas para cuidar do jovem rapaz. Com o apoio de uma equipe de terapeutas voluntários, Sujit passa seus dias trabalhando em programas para re-socializar-se, ensinando-o a ficar de pé, andar, comer e, de outra forma, se comportar mais como um humano comum. Os médicos supervisionam sua epilepsia e os cuidadores asseguram que ele passe por hábitos diários regulares de banho, barbear e vestir.

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Se você já for visitar Fiji, pare para uma visita ao garoto. O “garoto galinha” sujo e desnutrido já não existe mais, um indivíduo limpo e confortavelmente vestido tomou seu lugar.

Alguns vestígios de seu passado não podem ser apagados. Ele nunca aprenderá a falar, seus dedos ficaram tortuosos por causa de alguma lesão anterior, e ele ainda está aprendendo a melhor maneira de se comportar … Mas agora, ele come com uma colher, bebe em uma xícara e estabelece uma cama para dormir. Ele gosta de provocar e sempre consegue encontrar uma maneira de dizer o que ele precisa.

É impossível dizer onde Sujit poderia estar agora se Elizabeth não tivesse o resgatado e ajudado. Com certeza estaria sofrendo em outro lugar ou tendo um futuro bem pior. O que podemos afirmar agora é que ele com certeza encontrou seu lar e o dia em que Sujit e Elizabeth se conheceram continuará sendo o dia que nenhum dos dois jamais se esquecerá. No vídeo abaixo podemos ver uma matéria realizada com o menino e sua salvadora, a matéria está em inglês, mas você pode ativar as legendas do Youtube para entende-lá melhor.

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Conclusão do Ser Curioso

Como podemos notar a maioria das criança selvagens passaram por momentos traumáticos em sua infância, o abandono, a negligência, a falta dos pais ou de qualquer humano por perto fez com que estas pobre crianças fossem esquecendo o seu lado humano e adquirindo o seu lado animal. Podemos perceber que algumas destas crianças conseguiram ser recuperadas e levar uma vida normal, mas, aquelas que ficaram por muito tempo em contato com a vida selvagem, jamais se recuperaram ou levarão sequelas pro resto de suas vidas. Estes casos que contamos são apenas alguns dos casos mais conhecidos, estimasse que existam centenas de casos de crianças selvagens, isso sem contar aquelas que não tiveram a mesma sorte e que foram abandonadas para morte. Em muitos destes casos podemos perceber a negligencia e falta de responsabilidade dos pais ou cuidadores, então, se você conhece alguma criança, alguma pessoa que esta passando por isso, não perca tempo, denuncie as autoridades mais próximas, cada minuto que essas pessoas passam longe de cuidados específicos pode ser o ultimo de suas vidas.

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Fontes:

James, SD (2008). Filho selvagem sem palavras após a vida torturada. Http://abcnews.go.com/Health/story?id=4804490&page=1#.UBbyHKP5B8F

Lenneberg, E. (1967). Fundamentos biológicos da linguagem. Nova Iorque: Wiley.

Pines, M. (1997). A civilização de Genie. Em Ensinar Inglês através das Disciplinas: Psicologia, Loretta F. Kasper, Ed ..

PBS. (1997). O segredo da criança selvagem. NOVA.

Rolls, G. (2005). Estudos de casos clássicos em psicologia . Londres: Hodder Arnold.

Rymer, R. (1993). Genie: uma tragédia científica. Nova York: Harper Collins.

http://www.thehappyhometrust.com/about-us/our-history/

https://www.tumblr.com/search/genie%20the%20wild%20child

https://www.bizarrepedia.com/genie-wiley-the-wild-child/

http://www.bbc.com/culture/story/20151012-feral-the-children-raised-by-wolves

Feral Children & The “Animals” Who Care For Them

http://www.thehappyhometrust.com/sujit-kumar/

https://www.ideafixa.com/oldbutgold/historias-reais-criancas-selvagens

http://www.megacurioso.com.br/comportamento/85525-criancas-selvagens-5-meninas-e-meninos-criados-por-animais.htm