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No ano de 1988 os habitantes da cidade gaúcha de Santa Rosa ficaram estarrecidos por causa de um estranho caso que vinha ocorrendo no município. Conforme a reportagem do jornal Zero Hora, uma garota de 13 anos de idade, chamada Leonice Fitz, conseguia movimentar objetos com a força da mente, estourar lâmpadas, quebrar coisas sem tocar nelas e etc. Em sua casa também ocorriam outros fenômenos estranhos como por exemplo, era normal ouvir ruídos vindos das paredes e outros barulhos estranhos surgirem do nada. Isso tudo fez com que em pouco tempo a jovem se tornasse muito conhecida em toda a cidade e que logo esse caso se espalhasse por todo o Brasil. Com toda essa fama, a menina acabou recebendo vários apelidos e seu caso ficou conhecido como como “A menina Poltergeist”.

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Desde a infância ela já era diferente

Segundo diversos relatos de seus familiares, Leonice Fitz apresentava um comportamento diferente dos demais desde muito pequena. Sua mãe contou em uma entrevista que logo na terceira semana de vida de Leonice Fitz, já percebeu que sua filha era especial. Ela tinha colocado uma boneca ao lado de sua cama e segunda ela Leonice teria olhado para boneca e começado a chorar e só parou quando a mãe retirou a boneca do local, fato que surpreendeu a mãe por Leonice já enxergar as coisas tão bem, mesmo com 3 semanas de vida.

A certeza de que Leonice Fitz era especial foi crescendo a medida em que a menina crescia junto. Seus “poderes” foram aumentando e Leonice começou a gostar de usar e exibir seus truques. Durante seu período na escola ela usava a sua mediunidade para brincar e assustar os amiguinhos, até mesmo os professores se assustavam com alguns barulhos que ela produzia, uma outra brincadeira que ela gostava era fazer com que os bonés de seus amiguinhos levitassem pela janela e fossem para no telhado. Além disso seus amigos contavam que era normal ver a menina fazer as pedras rolarem pelo caminho usando somente a força da mente a medida em que eles iam caminhando para escola. Os seus amigos mais próximos e a família pareciam acostumados as “brincadeiras” de Leonice, segundo o relato de Ema, mãe de Leonice ela disse também que o único que conseguia controlar Leonice era seu pai Arnildo Fitz, que infelizmente faleceu em em 2003, aos 57 anos, bastava uma olhar de Arnildo para que Leonice parasse de fazer seus truques, coisas como explodir lâmpadas ou quebrar as louças da família.

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A situação começou a ficar assustadora

Mas nem tudo era apenas diversão. Conforme foi relatado na época pelo pai de Leonice, Arnildo Fitz, no ano de 1987 as coisas começaram a ficar assustadoras. Segundo ele nessa época começaram a aparecer papeis picados em baixo da cama de Leonice, ruídos nas paredes passaram a serem ouvidos constantemente e diversos outros eventos estranhos começaram a acontecer com uma frequência cada vez maior, como por exemplo, a explosão de lâmpadas, baldes de água que se moviam sozinhos e os colchões das camas da família pareciam se contorcer a todo momento.

Os familiares e vizinhos de Leonice afirmavam que todos os relatos eram verdadeiros. Segundo eles o período que marcava a passagem de Leonice da infância para a adolescência foi o mais conturbado. Nessa época tudo parecia ser brincadeira para ela, e Leonice de fato se divertia ao fazer tais coisas, como estraçalhar a louça da família. Como dissemos antes, a garota parecia respeitar apenas a presença do pai, que conseguia fazer com que a jovem se comportasse. Essa época foi particularmente difícil para a família Fitz, pois as pessoas das redondezas começaram a ouvir falar do estranho caso. Não demorou muito para que logo houvessem diversas especulações vindas dos populares, que na época chegavam a montar guarda na frente da casa da família Fitz, tentando presenciar alguns dos fenômenos causados pelos “poderes” de Leonice.

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Algumas das coisas que ela conseguia fazer

Leonice tinha vários feitos incríveis, alguns deles foram relatados por seus familiares, professores, amigos e diversas outras testemunhas oculares que a conheciam, segundo eles a garota conseguia facilmente fazer coisas como:

– Ligava e desligava as luzes. Quando fazia com muita intensidade, muitas das vezes as lampadas chegavam a explodir!
– Fazia pedras rolar enquanto caminhava.
– Produzia ruídos inexplicáveis, como por exemplo batidas na parede.
– Movia todo tipo de objeto pela casa, como baldes cheios de água (algo que é bem pesado por sinal).
– Fazia lençóis e colchões se moverem sozinhos.
– Quebrava as louças da casa.
– Levitava diversos objetos, como vassouras, uma testemunha alegou que viu ela levitando um baú com mais de 20 quilos!

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Imagem ilustrativa de objetos sendo levitados com a força da mente de uma menina, igual Leonice costumava fazer.

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A explosão do Caso na Mídia

Com todos esses fenômenos sobrenaturais ocorrendo em volta da menina, não demorou muito para que o caso de Leonice Fitz explodisse na mídia. Primeiro veio a matéria realizada pelo Jornal Zero Hora, um dos mais influentes do Rio Grande do Sul, fazendo com que sua história fosse espalhada por toda região, deste modo ela atraiu olhares maiores e em 1988 repórteres do programa Fantástico da Rede Globo descobriram o curioso caso de Leonice e exibiram uma matéria completa sobre sua vida e os fenômenos que a menina era capaz de reproduzir. Isso fez com que o caso de Leonice Fitz se tornasse conhecido nacionalmente e que ela se tornasse uma figura curiosa para todas as pessoas do País. Lógico que toda essa exposição atraiu ainda mais a atenção das pessoas para Leonice, e para os fenômenos que aconteciam ao seu redor. Com isso, diversos curiosos começaram a ir até o local onde a menina morava, todos queriam ver os fenômenos paranormais produzidos por Leonice e isso acabou assustando e atrapalhando muito a vivencia da família. Que precisavam muitas vezes até mesmo chamar a policia para ajudar a afastar curiosos mais atrevidos. Veja abaixo uns dos principais trechos da matéria realizada pelo Programa Fantástico na rede Globo. Nela podemos ver algumas demonstrações dos “poderes” de Leonice Fitz.

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Por que ela ficou conhecida como “A Menina Poltergeist”?

Leonice tinha apenas 13 anos quando seu caso estourou na mídia. Quem entende do mundo paranormal, sabe que existem diversos tipos de fantasmas e que o Poltergeist é um deles. A palavra Poltergeist tem uma origem alemã e significa “Espírito Barulhento/Bagunceiro”.  Como o próprio significado diz, se trata de um espírito bagunceiro, que geralmente faz coisas como: acender e apagar as luzes, mover objetos, quebrar copos e pratos, bater portas, fazer barulhos e etc.  Isso tudo com o intuito de pregar peças nas pessoas e deixa-las com medo. Algo bem parecido com o que contamos que a Leonice fazia, não é mesmo?  Esse tipo de fantasma é muito conhecido e famoso devido a sua aparição e retratação em diversos filmes, séries, livros e etc. E segundo diversos estudiosos do assunto, o Poltergeist geralmente costuma se manifestar em meninas que estão na época de sua puberdade, ou seja, próximo ao período em que as meninas começam a menstruar, isso se dá ao fato de que neste período as mulheres passam por profundas mudanças hormonais, o que resulta em uma enorme turbulência na energia emocional dessas garotas. Os Poltergeists então se aproveitariam desse período de altos níveis de energia para fazer com que a mente dessas crianças possam produzir as atividades paranormais que comentamos anteriormente, segundo eles essas atividades passam após um tempo e param de se manifestar. Por este motivo, Leonice Fitz ficou conhecida em todo o país como “A menina Poltergeist”.

Cena do Filme Poltergeist (1982)

Cena do Filme Poltergeist (1982)

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O tratamento dado a Leonice

Com a enorme proporção dos acontecimentos e com o aumento dos boatos envolvendo a menina, acabou sendo necessário a interferência por parte da prefeitura de Santa Rosa, que foi forçada a chamar um especialista para tentar acabar com o mistério e fazer a vida da família voltar ao que era antes. A prefeitura então contactou o padre e parapsicólogo Edvino Friderichs que tratou dela até o fim dos anos 80.

O padre foi até a casa da família, conversou com todos, principalmente com Leonice e testemunhou diversos fenômenos. Segundo ele: O problema é que ela acha graça quando isso acontece, sem levar em conta que se trata de um desequilíbrio físico e psíquico”  disse o Padre, que finalmente disse que os poderes de Leonice Fitz eram todos fenômenos conhecidos da parapsicologia: telergia e tiptologia, nada de espíritos de outro mundo com muitas dos curioso alegavam.  Para tentar cessar a manifestação destes poderes, o padre propôs um tratamento que consistia em fazer Leonice controlar a parte obscura de sua mente e que deste modo ela tivesse total controle e não usasse mais os seus “poderes”, claro que o tratamento não funcionou, pois faltava o principal, a vontade de Leonice! Ela não queria ser tratada, pois gostava das coisas que fazia e de toda atenção que ela estava atraindo.

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Mas o que aconteceu com Leonice Fitz após toda essa exposição?

A grande exposição de Leonice aconteceu no ano de 1988, quando ela tinha apenas 13 anos. Ela morava em uma cidade pequena, Santa Rosa-RS e muitas pessoas começaram a ir a sua casa querendo ver os fenômenos (as vezes mais de 100 de uma vez, sendo necessário que a polícia fosse chamada constantemente para fechar a estrada de terra que levava a casa dos Fitz), isso fez com que Leonice acabasse se retraindo e sumindo do convívio social por longos anos.

Com o tempo o caso pareceu ter sido esquecido pela grande maioria das pessoas. Leonice trabalhou como doméstica, não parando muito em seus empregos pois sempre que as patroas descobriam quem era Leonice acabavam demitindo-a por medo do que poderia acontecer. Segundo uma entrevista concedida por Leonice anos mais tarde: “Numa ocasião, o ferro de passar roupa esquentou, embora estivesse desligado. Em outra, as bocas do fogão a gás se acenderam sem que fossem acionadas.”

Felizmente Leonice não desistiu de tentar levar uma vida normal e algum tempo depois acabou casando-se com Armindo Herzog. Depois do casamento, Leonice começou a dar consultas espirituais e isso durou por aproximadamente 10 anos. Muitas pessoas vinham de longe para contar a elas os seus problemas e ouvir os seus conselhos.

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Leonice reaparece em novas entrevistas

Em 2002, 14 anos após os acontecimentos ganharem destaque, ela quebrou o silêncio e deu uma entrevista ao RBS TV gaúcha. Ela estava casada e não tinha filhos, e contou para a repórter que o que mais gostava era de preservar o seu anonimato e viver a sua vida em paz. Perguntada sobre como movia os objetos, ela disse que simplesmente acontecia tudo aquilo que ela pensava. Eu pensava que este papel iria voar e ela voava, então eu acho que era a força da minha mente, não era nada relacionado com espíritismo, diz Leonice. Seus poderes não diminuíram ao longo dos anos. Leonice disse que ainda conseguia desligar ou ligar lâmpadas ou ventiladores, por exemplo, mas não quis demonstrar o seu poder durante a reportagem, pois não queria mais reviver toda a exposição do passado.

Em 2008 Leonice surpreendeu o seu marido, os dois foram ao supermercado, Armindo havia trancado a porta da casa ao sair e colocado a chave no bolso de sua calça. Durante as compras, ela avisou:

— Ó, acabei de abrir a nossa casa.

— Não pode ser. A chave está comigo — protestou o marido.

Ao voltarem, o boquiaberto Armindo deparou com a porta de sua casa totalmente escancarada.

Em outra matéria publicada em 2010 pelo Jornal Zero Hora, pouco tempo antes da morte de Leonice, ela afirmou mais uma vez que seus poderes jamais diminuíram. Nessa matéria ela assegurou que usava seus dotes para curar pessoas com distúrbios, pessoas possessas, que segundo ela, muitas vinham até do Paraguai e da Argentina. Um dos pacientes mais endiabrados teria sido um rapaz de Porto Mauá, que conseguia atear fogo em galpões tendo por combustível a força do próprio pensamento. Sinistro não?

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A morte de Leonice Fitz, “A menina Poltergeist”

A vida de Leonice foi interrompida quando ela descobriu que estava com câncer nos ossos. Já muito debilitada, ela apareceu em uma nova entrevista, e contou que acabou pagando um preço alto por seus poderes.

– Por que tive de ser diferente dos outros? — penaliza-se.

Perguntada se os poderes paranormais continuavam, ela apontou para a luz que iluminava o quarto e disse:

– Se quiser que eu desligue aquela lâmpada, eu desligo. Mas tenho medo de fazer isso e não parar mais. Aí, quem vai me ajudar?

Infelizmente,ela perdeu a luta para o câncer em seus ossos e faleceu muito jovem, em 26 de junho de 2010, com apenas 35 anos. Porem a história de Leonice Fitz permanecerá viva em um dos casos mais impressionantes envolvendo eventos paranormais que o nosso Brasil já presenciou.

Leonice Fitz concede sua última entrevista, já bem abatida por causa do câncer.

Leonice Fitz concede sua última entrevista, já bem abatida por causa do câncer.

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Seria Leonice Fitz apenas mais uma fralde?

Pratos decolavam da mesa de jantar, levitavam como disco-voadores, depois se espatifavam contra a parede. Luzes piscavam na roça de milho, mas não eram vaga-lumes. Espíritos apareciam para um bate-papo, comunicando-se por meio de batidinhas e toques, num código morse de arrepiar os cabelos. Cadeiras se arrastavam sozinhas, colchões se retorciam, lâmpadas estouravam fulminadas pelo olhar. Seriam todos esses fantásticos relatos dos familiares e amigos apenas uma fraude?

Uma repórter que presenciou a famosa cena do colchão sendo movido da cama, confessou depois de 23 anos para a RBS TV Gaúcha, que ela só teve permissão para entrar no quarto para gravar a cena quando a garota já estava deitada na cama coberta e que Leonice não saiu da cama até que todos saíssem do quarto. Seria esse um indicio de uma possível fraude? Teria algum mecanismo movendo o colchão? É curiosos, pode até ser que sim, mas e os outros diversos casos, testemunhados por centenas de outras pessoas? Seriam todos fraldes? Ou seria realmente força da poderosa mente de Leonice Fitz? Deixe ai nos comentários a sua opinião sobre esse curioso caso e não se esqueça de curtir nossa página no Facebook (facebook.com/sercurioso.com.br)  e se inscrever no nosso canal do Youtube (www.youtube.com/sercurioso).

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